quarta-feira, 9 de junho de 2010
terça-feira, 8 de junho de 2010
O Brasil dá sono
Bela porcaria o amistoso contra a Tanzânia! Pior que isso é aguentar o ufanismo oportunista de 90% da mídia.
É a vida.
Depois de muito ler, ver e ouvir, decidi comentar individualmente a atuação de cada jogador e da comissão técnica do Brasil.
Antes, uma observação: a Tanzânia é pior que o Zimbábue. E a Seleção Brasileira conseguiu tomar um gol.
NOTAS
Gomes: o melhor jogador do Brasil - 8,5
Maicon: burocrático, chato, léguas de distância daquele Maicon da Inter - 5,0
Lúcio: previsível, lento, sem a vibração característica - 5,0
(Luisão): pragmático. Ganhou um gol da Tanzânia no brilhante currículo - 4,0
Juan: como diria aquele velho comentarista, péssimo dos péssimos. Ficou evidente que lhe falta ritmo de jogo - 3,0
Michel Bastos: uma lástima na marcação. No apoio, erra bolas fáceis. E pensar que o Roberto Carlos, numa ótima fase, ficou no Brasil - 5,0
(Gilberto): um andróide programado para a marcação e fechar o buraco deixado por Michel Bastos na defesa. Um baita buraco, diga-se de passagem - 5,0
Gilberto Silva: seria só inútil se não comprometesse a marcação do meio-campo - 3,0
(Josué): melhorou a marcação, mas errou uma infinidade de passes. Além de ter o cérebro proporcional ao seu tamanho - 4,0
Felipe Melo: o pior. É um caso para se estudar cientificamente. A decadência deste volante compromete a transição da defesa para o ataque e expõe a fragilidade de uma defesa supostamente intransponível. Além disso, anda muito nervosinha - 0,0
(Ramires): Aí, sim, fomos surpreendidos novamente. Precisa aprender a trabalhar mais a bola no campo de ataque - 7,0
Elano: um arremedo de ponta-direita. Não fez nem sua função - que é marcar e municiar Kaká e o ataque - nem aquilo que se propôs a fazer, pretensiosamente, ficando estagnado na extrema-direita. Um verdadeiro ectoplasma que assustou a bola. Uma das piores apresentações deste filho de Iracemápolis - 3,0
(Daniel Alves): foi atabalhoado em vários lances, mas mostrou incomparável dinamismo em relação ao seu antecessor. Outra nervosinha - 6,0
Kaká: aqui cabem algumas observações sobre o pessoal da Globo e da Sportv. Quanto exagero! A cada toque na bola, este rapaz era louvado como se fosse um representante de Deus. Kaká, porém, mostrou até certa displicência na partida, irritação e desprezo com os adversários. Não jogou mal, é verdade. Mas esteve longe de fazer uma boa partida. No primeiro tempo, foi excessivamente comedido, errou muitos passes, perdeu bolas fáceis, enfim, foi presa fácil para os fracos marcadores da Tanzânia. No segundo tempo, foi mais incisivo, mas mostrou que lhe falta o dom de criar. É, realmente, um ponta-de-lança sem pretensão na armação de jogadas. O máximo que se pode esperar são tabelinhas. Agora, se for pra jogar desse jeito, por que Dunga também não trouxe Ronaldinho Gaúcho? É o mesmíssimo futebol apresentado pelo meia no Milan. E ainda desprovido da plástica característica das jogadas do Gaúcho. Mesmo assim, arranca suspiros dos comentaristas globais. A ponto do deslumbrado Paulo César Vasconcelos dizer que o gol de peito foi o mais bonito da partida. O mais bonito foi o chute voraz do Ramirez! Acorda, véio! Nota para Kaká - 6,0
Robinho: só foi inferior ao goleiro Gomes. Correu o campo todo, organizou a armação de jogadas, deu passes açucarados e, de quebra, marcou dois gols, abrindo caminho para a goleada. Faltou driblar mais. Cresce a cada dia - 8,0
Luis Fabiano: involuiu. Conseguiu fazer uma partida pior do que havia feito contra o Zimbábue. Outro que precisa tomar doses cavalares de suco de maracujá e reaprender um mínimo sobre boas maneiras. Será que voltará a ser o mala-problema dos tempos de São Paulo? De qualquer maneira teve uma péssima participação contra a péssima Tanzânia - 2,0
(Nilmar): correu, correu e não chegou a lugar nenhum. Mesmo assim foi melhor que o maleta do Luis Fabiano - 3,0
Dunga: devia ter tirado Felipe Melo no primeiro tempo. Demorou pra tirar Luis Fabiano. Mas acertou em cheio colocando Ramirez - 7,0
Jorginho: não fede nem cheira.
Ricado Teixeira: nota policial
É a vida.
Depois de muito ler, ver e ouvir, decidi comentar individualmente a atuação de cada jogador e da comissão técnica do Brasil.
Antes, uma observação: a Tanzânia é pior que o Zimbábue. E a Seleção Brasileira conseguiu tomar um gol.
NOTAS
Gomes: o melhor jogador do Brasil - 8,5
Maicon: burocrático, chato, léguas de distância daquele Maicon da Inter - 5,0
Lúcio: previsível, lento, sem a vibração característica - 5,0
(Luisão): pragmático. Ganhou um gol da Tanzânia no brilhante currículo - 4,0
Juan: como diria aquele velho comentarista, péssimo dos péssimos. Ficou evidente que lhe falta ritmo de jogo - 3,0
Michel Bastos: uma lástima na marcação. No apoio, erra bolas fáceis. E pensar que o Roberto Carlos, numa ótima fase, ficou no Brasil - 5,0
(Gilberto): um andróide programado para a marcação e fechar o buraco deixado por Michel Bastos na defesa. Um baita buraco, diga-se de passagem - 5,0
Gilberto Silva: seria só inútil se não comprometesse a marcação do meio-campo - 3,0
(Josué): melhorou a marcação, mas errou uma infinidade de passes. Além de ter o cérebro proporcional ao seu tamanho - 4,0
Felipe Melo: o pior. É um caso para se estudar cientificamente. A decadência deste volante compromete a transição da defesa para o ataque e expõe a fragilidade de uma defesa supostamente intransponível. Além disso, anda muito nervosinha - 0,0
(Ramires): Aí, sim, fomos surpreendidos novamente. Precisa aprender a trabalhar mais a bola no campo de ataque - 7,0
Elano: um arremedo de ponta-direita. Não fez nem sua função - que é marcar e municiar Kaká e o ataque - nem aquilo que se propôs a fazer, pretensiosamente, ficando estagnado na extrema-direita. Um verdadeiro ectoplasma que assustou a bola. Uma das piores apresentações deste filho de Iracemápolis - 3,0
(Daniel Alves): foi atabalhoado em vários lances, mas mostrou incomparável dinamismo em relação ao seu antecessor. Outra nervosinha - 6,0
Kaká: aqui cabem algumas observações sobre o pessoal da Globo e da Sportv. Quanto exagero! A cada toque na bola, este rapaz era louvado como se fosse um representante de Deus. Kaká, porém, mostrou até certa displicência na partida, irritação e desprezo com os adversários. Não jogou mal, é verdade. Mas esteve longe de fazer uma boa partida. No primeiro tempo, foi excessivamente comedido, errou muitos passes, perdeu bolas fáceis, enfim, foi presa fácil para os fracos marcadores da Tanzânia. No segundo tempo, foi mais incisivo, mas mostrou que lhe falta o dom de criar. É, realmente, um ponta-de-lança sem pretensão na armação de jogadas. O máximo que se pode esperar são tabelinhas. Agora, se for pra jogar desse jeito, por que Dunga também não trouxe Ronaldinho Gaúcho? É o mesmíssimo futebol apresentado pelo meia no Milan. E ainda desprovido da plástica característica das jogadas do Gaúcho. Mesmo assim, arranca suspiros dos comentaristas globais. A ponto do deslumbrado Paulo César Vasconcelos dizer que o gol de peito foi o mais bonito da partida. O mais bonito foi o chute voraz do Ramirez! Acorda, véio! Nota para Kaká - 6,0
Robinho: só foi inferior ao goleiro Gomes. Correu o campo todo, organizou a armação de jogadas, deu passes açucarados e, de quebra, marcou dois gols, abrindo caminho para a goleada. Faltou driblar mais. Cresce a cada dia - 8,0
Luis Fabiano: involuiu. Conseguiu fazer uma partida pior do que havia feito contra o Zimbábue. Outro que precisa tomar doses cavalares de suco de maracujá e reaprender um mínimo sobre boas maneiras. Será que voltará a ser o mala-problema dos tempos de São Paulo? De qualquer maneira teve uma péssima participação contra a péssima Tanzânia - 2,0
(Nilmar): correu, correu e não chegou a lugar nenhum. Mesmo assim foi melhor que o maleta do Luis Fabiano - 3,0
Dunga: devia ter tirado Felipe Melo no primeiro tempo. Demorou pra tirar Luis Fabiano. Mas acertou em cheio colocando Ramirez - 7,0
Jorginho: não fede nem cheira.
Ricado Teixeira: nota policial
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Overdose de Jabulani
Meu quarto está entupido de tabelas e especiais sobre a Copa do Mundo. Principalmente da Folha de S. Paulo e do Agora, dois jornais que assino.
Além disso não resisto à tentação de comprar o material dos tradicionais Lance! e Placar nas bancas da cidade. Sem contar as revistinhas de segunda categoria com análises de jornalistas desconhecidos - as quais adquiro por pura curiosidade.
O pior é que nem consigo evitar os programas de esporte.
O primeiro passo para a cura é reconhecer o vício. Ontem tive uma prova cabal de meu estado hipnótico. Trancado no quarto, tinha quatro jornais abertos sobre a cama, ouvia a Rádio Cultura de Santos, que transmitia Peixe e Vasco, assistia ao jogo entre Corinthians e Botafogo pela Rede Globo e, na Internet, acompanhava os outros resultados. Loucura, loucura, loucura!
Agora estou sofrendo os esfeitos do abuso no consumo de informação sobre futebol, especialmente no que se refere à Copa do Mundo. Uma típica overdose.
A Copa nem começou e já estou saturado.
domingo, 6 de junho de 2010
O campeão da Copa do Mundo
Enquete do Golaço apontou como favoritos ao título mais cobiçado do planeta Brasil, Inglaterra, Itália, Argentina e Holanda.
Também considero estes times aqueles que têm mais chances de conquistar a Copa do Mundo.
Torço para o Brasil, mas acho que a Argentina apresentará um futebol mais bonito.
E vejo a Holanda com grandes possibilidades de vencer o primeiro Mundial de sua história.
A Holanda é melhor que a Espanha.
Também considero estes times aqueles que têm mais chances de conquistar a Copa do Mundo.
Torço para o Brasil, mas acho que a Argentina apresentará um futebol mais bonito.
E vejo a Holanda com grandes possibilidades de vencer o primeiro Mundial de sua história.
A Holanda é melhor que a Espanha.
sábado, 5 de junho de 2010
Mensagem para Dunga

Do blog do jornalista Alberto Helena Jr.
Direto de Johanesburgo – Os discursos de Dunga, nas entrevistas coletivas, estão ficando quase tão tediosos, por repetitivos e revanchistas, como o jogo da sua Seleção.
Não há pergunta de jornalista, a mais direta e técnica possível, em cuja resposta Dunga não dê uma volta para revidar com alguma observação espicaçando a imprensa esportiva brasileira.
Nesta quarta-feira, idem com batatas, durante os cerca de 40 minutos em que ele e Jorginho estiveram sobre o palco armado no salão do Randing Parke Golfe Club.
Jorginho, então, intempestivamente, passou a fazer uma exaltada peroração, que culminou com uma bravata: “Não estou generalizando, mas há quem vem aqui e não faz perguntas. Quero ver se esse tem coragem, agora de levantar a mão!”
São falas desmedidas, primárias, toscas, obviamente provocativas, opostas ao tom conciliador que a imensa maioria dos jornalistas que frequentam essas conferências desde o primeiro momento.
Como me disse o Milton Neves, depois da entrevista, Dunga até agora não falou das 31 seleções restantes. Até parece que o único adversário do Brasil na Copa é a imprensa brasileira. Aliás, por falar em Milton Neves, meu querido confrade, às vezes, exagera, mas não mente, como o slogan do fofoqueiro Rubens.
Eis que o Milton Neves me confidencia que, há algum tempo, numa champanhota, como diziam os antigos colunistas sociais, Dunga meteu a boca em mim. Coisas do tipo: esse Helena se acha mais inteligente do que todo mundo e tal e cousa e lousa e maripousa.
Ledo engano. Mesmo porque meus 160 de QI atestados pelos laboratórios da USP, quando ainda saindo da adolescência, depois de tantos anos queimando neurônios, já devem ter se reduzido à metade. De quase gênio, a quase imbecil.
Mas, toda vida me dediquei a aprender, a ler sobre tudo e especialmente procurar entender o futebol, sob todos os seus aspectos. E, sobretudo, ouvir os mais velhos, aqueles que tinham sido testemunhas de tempos anteriores aos meus.
Tenho, pois, seguramente mais tempo de estrada do que Dunga e Jorginho juntos. E muito, muito mais conhecimento sobre a história do futebol, a evolução dos sistemas táticos etc.
Privei do convívio com os mais hábeis e famosos treinadores brasileiros (alguns estrangeiros) de todos os tempos, desde Flávio Costa, Feola, Aymoré Moreira, Zezé Moreyra, Tim, Ênio Andrade, Oswaldo Brandão, Oto Glória, Rubens Minelli, Cláudio Coutinho, Telê Santana, Felipão, Parreira, Zagallo, até os atuais Luxemburgo, Muricy e outros tantos.
E, deles, colhi ensinamentos inestimáveis sobre os segredos do futebol. Vi mais treinos e jogos de Seleção Brasileira que nem Dunga, nem Jorginho podem imaginar.
Ora, como não tenho nenhuma antipatia pessoal contra ambos, apenas discordo veementemente de algumas de suas posições a respeito do futebol e da vida, sinto-me à vontade para mandar-lhes um recado de quem tem idade pra ser seu pai.
Parem com essa bobagem, essa infantil compulsão para a revanche.
Limitem-se a falar sobre futebol, que vocês conhecem porque estiveram lá, pois, quando saem fora desse roteiro, pisam na bola de forma inaceitável, pra quem tenha um pouco de conhecimento.
Abram as portas da concentração e da mente para novas ideias e o convívio ameno com seus compatriotas, já que esse nacionalismo vesgo faz parte da índole dos dois e até de boa parte da imprensa.
Vai ser melhor para todos, principalmente pra vocês.
Não há pergunta de jornalista, a mais direta e técnica possível, em cuja resposta Dunga não dê uma volta para revidar com alguma observação espicaçando a imprensa esportiva brasileira.
Nesta quarta-feira, idem com batatas, durante os cerca de 40 minutos em que ele e Jorginho estiveram sobre o palco armado no salão do Randing Parke Golfe Club.
Jorginho, então, intempestivamente, passou a fazer uma exaltada peroração, que culminou com uma bravata: “Não estou generalizando, mas há quem vem aqui e não faz perguntas. Quero ver se esse tem coragem, agora de levantar a mão!”
São falas desmedidas, primárias, toscas, obviamente provocativas, opostas ao tom conciliador que a imensa maioria dos jornalistas que frequentam essas conferências desde o primeiro momento.
Como me disse o Milton Neves, depois da entrevista, Dunga até agora não falou das 31 seleções restantes. Até parece que o único adversário do Brasil na Copa é a imprensa brasileira. Aliás, por falar em Milton Neves, meu querido confrade, às vezes, exagera, mas não mente, como o slogan do fofoqueiro Rubens.
Eis que o Milton Neves me confidencia que, há algum tempo, numa champanhota, como diziam os antigos colunistas sociais, Dunga meteu a boca em mim. Coisas do tipo: esse Helena se acha mais inteligente do que todo mundo e tal e cousa e lousa e maripousa.
Ledo engano. Mesmo porque meus 160 de QI atestados pelos laboratórios da USP, quando ainda saindo da adolescência, depois de tantos anos queimando neurônios, já devem ter se reduzido à metade. De quase gênio, a quase imbecil.
Mas, toda vida me dediquei a aprender, a ler sobre tudo e especialmente procurar entender o futebol, sob todos os seus aspectos. E, sobretudo, ouvir os mais velhos, aqueles que tinham sido testemunhas de tempos anteriores aos meus.
Tenho, pois, seguramente mais tempo de estrada do que Dunga e Jorginho juntos. E muito, muito mais conhecimento sobre a história do futebol, a evolução dos sistemas táticos etc.
Privei do convívio com os mais hábeis e famosos treinadores brasileiros (alguns estrangeiros) de todos os tempos, desde Flávio Costa, Feola, Aymoré Moreira, Zezé Moreyra, Tim, Ênio Andrade, Oswaldo Brandão, Oto Glória, Rubens Minelli, Cláudio Coutinho, Telê Santana, Felipão, Parreira, Zagallo, até os atuais Luxemburgo, Muricy e outros tantos.
E, deles, colhi ensinamentos inestimáveis sobre os segredos do futebol. Vi mais treinos e jogos de Seleção Brasileira que nem Dunga, nem Jorginho podem imaginar.
Ora, como não tenho nenhuma antipatia pessoal contra ambos, apenas discordo veementemente de algumas de suas posições a respeito do futebol e da vida, sinto-me à vontade para mandar-lhes um recado de quem tem idade pra ser seu pai.
Parem com essa bobagem, essa infantil compulsão para a revanche.
Limitem-se a falar sobre futebol, que vocês conhecem porque estiveram lá, pois, quando saem fora desse roteiro, pisam na bola de forma inaceitável, pra quem tenha um pouco de conhecimento.
Abram as portas da concentração e da mente para novas ideias e o convívio ameno com seus compatriotas, já que esse nacionalismo vesgo faz parte da índole dos dois e até de boa parte da imprensa.
Vai ser melhor para todos, principalmente pra vocês.
quinta-feira, 3 de junho de 2010
A mãe ninguém enquadra
Logo após assistir ao jogo entre Cruzeiro e Santos pus-me a refletir com certa profundidade: "nada disso faz sentido". Não havia visto ainda os jogadores do Peixe com semblante tão lúgubre. Meu coração ficou apertado. O primeiro tempo me pareceu o anúncio do que vem pela frente: a rendição. Voltaremos ao futebol pragmático e insosso que nos abarca desde a ascensão de times europeus voltados para a marcação.
Não que marcar bem seja ruim. Pelo contrário. Nossa identidade, porém, aponta como característica fundamental a improvisação. Pode soar politicamente incorreto, mas fazer apologia à improvisação nada mais é do que reconhecer quem somos nós. Improvisar significa abrir caminho para a criatividade. Exercitar o talento. Mudar o rumo das coisas desagradáveis. O jogo tá chato? É porque falta um Paulo César Caju, um Romário, um Ronaldo, um Neymar. Mas a polícia do futebol está atrás de Neymar. E quer levar todos os outros santistas no camburão da intolerância.
Os atletas dos Santos estão sendo enquadrados pelos adversários, pela arbitragem, pelos técnicos, pela cartolagem e por uma grande parcela da imprensa. Não se trata de simples aplicação de regras e conceitos. É, realmente, a olhos vistos, uma orquestração em defesa de uma doutrina. Sutil, muda, mas muito eficiente. A ordem geral parece ser: "façam esse time ser igual a qualquer outro". Não faz sentido.
Mas a vida não faz mesmo sentido e, mesmo assim, temos que tocar o barco. Tanto estoicismo se justifica a cada passo da sociedade. Se você não exercitar a serenidade, fica louco ou tão decepcionado que vira um fantasma de si mesmo. E o que me levou a incursões pelo reino da sombras foi uma contatação simples, advinda do embate no Mineirão: as pessoas são cruéis até no momento de lazer.
Pra mim, futebol é como festa de aniversário de criança. Você quer se divertir sossegadamente durante a pequena duração do evento. Comer dois pedaços de um bolo gostoso, beber guaraná sem drama e colocar em dia o papo com amigos e parentes que raramente vê.
Neymar & Cia me proporcionaram muita diversão até o dia em que foram punidos por se atrasarem para o treino por causa de uma festa de aniversário.
A partir dali começou um patrulha implacável. Principalmente em cima de Neymar. E Dorival Jr., que nunca foi um grande jogador, longe disso, também embarcou nessa. Quando Neymar declarou que daria um chapéu em Chicão, tratou de contemporizar, botar panos quentes. Pra quê? É proibido dar chapéu? Ou demonstrar confiança? Ou simplesmente declarar aquilo que quer fazer?
Essa diplomacia repentina de Dorival Jr. me incomoda. Neymar falou pelos cotovelos? Agora aguente a tiração de sarro. E pague o jantar apostado com Dentinho.
Os jogadores entram num acordo. A beligerância de uma partida - que existe somente no terreno subjetivo - costuma acabar ao apito do juiz após 90 minutos. Mas muitos torcedores seguem alimentando o ódio mesmo depois que os jogadores se abraçaram, trocaram camisas e foram juntos para a balada.
Fazia tempo que eu não via tanta hostilidade contra um jogador de futebol. Neymar, de repente, virou o bode expiatório dos frustrados, dos mal-amados, dos infelizes, dos pobres de espírito, dos pessimistas, dos ressentidos.
"É um moleque". "Precisa amadurecer". "Falou demais". "O peixe morre pela boca". "Alguém precisa dar uma prensa nesse moleque". "Futebol é pra homem". "Vamos separar as crianças dos adultos".
Tudo isso não passaria apenas de clichês do universo futebolístico se não viesse impregnado de uma má-vontade que dia a dia tem contaminado jogadores, técnicos, cartolas, jornalistas, árbitros e até gente aparentemente tranquila que gosta de tomar um chope ao cair da tarde.
O resumo da ópera é que Neymar tem que ir para a fogueira para virar aquilo que querem que ele seja: mais um.
Mais um ser humano enquadrado pela moral burguesa, cujo código de conduta espalha o odor acre de uma cordialidade de fachada. Os limites são impostos por aqueles que têm o poder de decidir o que é bom para a sociedade: os mais experientes. Os vividos. Os controlados. Os fortes. Os sérios.
O resto é feito de moleques. E eles devem rir durante um período determinado do dia. Precisam aprender a falar somente aquilo que é facilmente digerível. É inadmissível que se faça brincadeira com a honra, com a dignidade, com o bom nome de quem quer que seja. Do contrário, além da tiração de sarro, haverá um ódio emperdenido. Tão incendiário e dotado de capacidade de arregimentar multidões que será impossível para o autor das brincadeiras sair de casa, o que dirá pisar novamente o gramado.
Tudo isso, infelizmente, é reflexo do que aceitamos como correto para a nossa vida. As relações cotidianas só exibem esta diplomacia farsesca para evitar que as pessoas se agridam ou se matem. As pessoas não assimiliam a tiração de sarro, as provocações futebolísticas e a zoeira apenas como elementos de diversão. Elas guardam rancor, alimentam ressentimento. Não vêem a hora da vingança. E quando o autor de dribles desconcertantes, de frases provocativas e de brincadeiras fora de hora se dá mal, elas não devolvem na mesma moeda. As pessoas, mesmo aquelas que não assistem aos jogos com regularidade, vão à forra com toda a raiva acumulada por inúmeras situações - objetivas e subjetivas.
Muitos torcedores, tenho certeza, se pudessem entrar em campo com um pedaço de pau e lascar na cabeça de Neymar o fariam sem maiores arrependimentos.
Pra eles não importa se o rapaz sacudiu o marasmo no futebol. Não importa que ele resgatou a picardia dos dribles.
O importante é ofendê-lo. Rotulá-lo. Quebrá-lo ao meio. Se possível, impedir que ele jogue futebol.
Neymar virou uma espécie de demônio a ser exorcizado dos gramados. Quem diria! Um jovem que ganha seu dinheiro honestamente, com o talento que Deus lhe deu.
Os gracejos de Neymar nunca são esquecidos. Mas as ofensas do zagueiro Danilo, do Palmeiras, são coisa do passado. Basta pedir desculpas (que não foram aceitas, compreensivelmente, pelo jogador do Atlético Paranaense). Ninguém perde tempo refletindo sobre uma situação que expõe o que há de pior na sociedade brasileira: o preconceito. É preferível execrar Neymar, aquele filé de borboleta safado que acha que pode fazer tudo dentro de campo. Aquele sem-vergonha que pensa que é Pelé. Aquele metido, marrento, moleque que humilha os jogadores sérios.
Sabem por que motivo Dunga não convocou Neymar? Porque o sabujo da CBF é refratário à evolução, ao questionamento. Dunga prefere a segurança da mediocridade aos riscos das descobertas.
Desde de 1990 ele carrega consigo um terrível ressentimento por ter sido considerado símbolo de uma geração fracassada. Lazaroni foi esquecido, Dunga não. E não conseguiu se livrar dessa mágoa, que o faz desafiar, como um menino turrão, imprensa e torcedor.
A imprensa estrangeira, com propriedade, retratou bem o que foi o amistoso contra o Zimbábue: um jogo sem-graça. A brasileira passou o verniz do ufanismo até nas grosserias do volante Felipe Melo.
Essa situação reflete bem o estado de espírito do atual momento do futebol brasileiro: muita gente prefere jogos de caráter belicista do que integrador. Aonde nos levará esse clima de guerra estimulado pelo próprio técnico da Seleção Brasileira? As mortes causadas por choques entre torcidas organizadas nos dão uma pista.
Vencer a qualquer custo às vezes implica menos mérito do que se imagina.
Não que marcar bem seja ruim. Pelo contrário. Nossa identidade, porém, aponta como característica fundamental a improvisação. Pode soar politicamente incorreto, mas fazer apologia à improvisação nada mais é do que reconhecer quem somos nós. Improvisar significa abrir caminho para a criatividade. Exercitar o talento. Mudar o rumo das coisas desagradáveis. O jogo tá chato? É porque falta um Paulo César Caju, um Romário, um Ronaldo, um Neymar. Mas a polícia do futebol está atrás de Neymar. E quer levar todos os outros santistas no camburão da intolerância.
Os atletas dos Santos estão sendo enquadrados pelos adversários, pela arbitragem, pelos técnicos, pela cartolagem e por uma grande parcela da imprensa. Não se trata de simples aplicação de regras e conceitos. É, realmente, a olhos vistos, uma orquestração em defesa de uma doutrina. Sutil, muda, mas muito eficiente. A ordem geral parece ser: "façam esse time ser igual a qualquer outro". Não faz sentido.
Mas a vida não faz mesmo sentido e, mesmo assim, temos que tocar o barco. Tanto estoicismo se justifica a cada passo da sociedade. Se você não exercitar a serenidade, fica louco ou tão decepcionado que vira um fantasma de si mesmo. E o que me levou a incursões pelo reino da sombras foi uma contatação simples, advinda do embate no Mineirão: as pessoas são cruéis até no momento de lazer.
Pra mim, futebol é como festa de aniversário de criança. Você quer se divertir sossegadamente durante a pequena duração do evento. Comer dois pedaços de um bolo gostoso, beber guaraná sem drama e colocar em dia o papo com amigos e parentes que raramente vê.
Neymar & Cia me proporcionaram muita diversão até o dia em que foram punidos por se atrasarem para o treino por causa de uma festa de aniversário.
A partir dali começou um patrulha implacável. Principalmente em cima de Neymar. E Dorival Jr., que nunca foi um grande jogador, longe disso, também embarcou nessa. Quando Neymar declarou que daria um chapéu em Chicão, tratou de contemporizar, botar panos quentes. Pra quê? É proibido dar chapéu? Ou demonstrar confiança? Ou simplesmente declarar aquilo que quer fazer?
Essa diplomacia repentina de Dorival Jr. me incomoda. Neymar falou pelos cotovelos? Agora aguente a tiração de sarro. E pague o jantar apostado com Dentinho.
Os jogadores entram num acordo. A beligerância de uma partida - que existe somente no terreno subjetivo - costuma acabar ao apito do juiz após 90 minutos. Mas muitos torcedores seguem alimentando o ódio mesmo depois que os jogadores se abraçaram, trocaram camisas e foram juntos para a balada.
Fazia tempo que eu não via tanta hostilidade contra um jogador de futebol. Neymar, de repente, virou o bode expiatório dos frustrados, dos mal-amados, dos infelizes, dos pobres de espírito, dos pessimistas, dos ressentidos.
"É um moleque". "Precisa amadurecer". "Falou demais". "O peixe morre pela boca". "Alguém precisa dar uma prensa nesse moleque". "Futebol é pra homem". "Vamos separar as crianças dos adultos".
Tudo isso não passaria apenas de clichês do universo futebolístico se não viesse impregnado de uma má-vontade que dia a dia tem contaminado jogadores, técnicos, cartolas, jornalistas, árbitros e até gente aparentemente tranquila que gosta de tomar um chope ao cair da tarde.
O resumo da ópera é que Neymar tem que ir para a fogueira para virar aquilo que querem que ele seja: mais um.
Mais um ser humano enquadrado pela moral burguesa, cujo código de conduta espalha o odor acre de uma cordialidade de fachada. Os limites são impostos por aqueles que têm o poder de decidir o que é bom para a sociedade: os mais experientes. Os vividos. Os controlados. Os fortes. Os sérios.
O resto é feito de moleques. E eles devem rir durante um período determinado do dia. Precisam aprender a falar somente aquilo que é facilmente digerível. É inadmissível que se faça brincadeira com a honra, com a dignidade, com o bom nome de quem quer que seja. Do contrário, além da tiração de sarro, haverá um ódio emperdenido. Tão incendiário e dotado de capacidade de arregimentar multidões que será impossível para o autor das brincadeiras sair de casa, o que dirá pisar novamente o gramado.
Tudo isso, infelizmente, é reflexo do que aceitamos como correto para a nossa vida. As relações cotidianas só exibem esta diplomacia farsesca para evitar que as pessoas se agridam ou se matem. As pessoas não assimiliam a tiração de sarro, as provocações futebolísticas e a zoeira apenas como elementos de diversão. Elas guardam rancor, alimentam ressentimento. Não vêem a hora da vingança. E quando o autor de dribles desconcertantes, de frases provocativas e de brincadeiras fora de hora se dá mal, elas não devolvem na mesma moeda. As pessoas, mesmo aquelas que não assistem aos jogos com regularidade, vão à forra com toda a raiva acumulada por inúmeras situações - objetivas e subjetivas.
Muitos torcedores, tenho certeza, se pudessem entrar em campo com um pedaço de pau e lascar na cabeça de Neymar o fariam sem maiores arrependimentos.
Pra eles não importa se o rapaz sacudiu o marasmo no futebol. Não importa que ele resgatou a picardia dos dribles.
O importante é ofendê-lo. Rotulá-lo. Quebrá-lo ao meio. Se possível, impedir que ele jogue futebol.
Neymar virou uma espécie de demônio a ser exorcizado dos gramados. Quem diria! Um jovem que ganha seu dinheiro honestamente, com o talento que Deus lhe deu.
Os gracejos de Neymar nunca são esquecidos. Mas as ofensas do zagueiro Danilo, do Palmeiras, são coisa do passado. Basta pedir desculpas (que não foram aceitas, compreensivelmente, pelo jogador do Atlético Paranaense). Ninguém perde tempo refletindo sobre uma situação que expõe o que há de pior na sociedade brasileira: o preconceito. É preferível execrar Neymar, aquele filé de borboleta safado que acha que pode fazer tudo dentro de campo. Aquele sem-vergonha que pensa que é Pelé. Aquele metido, marrento, moleque que humilha os jogadores sérios.
Sabem por que motivo Dunga não convocou Neymar? Porque o sabujo da CBF é refratário à evolução, ao questionamento. Dunga prefere a segurança da mediocridade aos riscos das descobertas.
Desde de 1990 ele carrega consigo um terrível ressentimento por ter sido considerado símbolo de uma geração fracassada. Lazaroni foi esquecido, Dunga não. E não conseguiu se livrar dessa mágoa, que o faz desafiar, como um menino turrão, imprensa e torcedor.
A imprensa estrangeira, com propriedade, retratou bem o que foi o amistoso contra o Zimbábue: um jogo sem-graça. A brasileira passou o verniz do ufanismo até nas grosserias do volante Felipe Melo.
Essa situação reflete bem o estado de espírito do atual momento do futebol brasileiro: muita gente prefere jogos de caráter belicista do que integrador. Aonde nos levará esse clima de guerra estimulado pelo próprio técnico da Seleção Brasileira? As mortes causadas por choques entre torcidas organizadas nos dão uma pista.
Vencer a qualquer custo às vezes implica menos mérito do que se imagina.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Craque no Independente

Leio com satisfação no Jornal de Limeira que o meia (que também atuou como segundo volante muitas vezes) Piá foi contratado pelo Independente. Foi a melhor aquisição do Galo nos últimos anos. Dir-se-ia que o ex-jogador de Santos e Corinthians é o Ronaldo da Segundona.
Vi muitos jogos de Piá. Principalmente no Santos. Também mantive uma relação de cordialidade por muitos anos dada a convivência no Jardim Nova Itália - o atleta é torcedor do Novinha, nosso time do bairro. Além disso, Piá morava na vizinhança, no Jardim São Paulo. Aprendi a conhecer o Piá com uma visão diferente de meus colegas da mídia.
Vi muitos jogos de Piá. Principalmente no Santos. Também mantive uma relação de cordialidade por muitos anos dada a convivência no Jardim Nova Itália - o atleta é torcedor do Novinha, nosso time do bairro. Além disso, Piá morava na vizinhança, no Jardim São Paulo. Aprendi a conhecer o Piá com uma visão diferente de meus colegas da mídia.
Na foto, Piá - mais jovem - com amigos, entre eles Gian, que jogou no Vasco e serviu a Seleção Brasileira (o primeiro, à esquerda)
Pra maioria dos jornalistas, as informações quase sempre chegam via órgãos oficiais ou por meio de fofoca. Quando você acompanha o desenrolar das histórias in loco, aprende a refletir sobre as versões. Piá é, sem dúvida, um jogador polêmico. Muito mais por sua autenticidade do que por supostos deslizes contra a lei. O que ele devia, pagou. E deve ser respeitado também no âmbito da lei e do bom senso.
Há dois anos, fiz uma entrevista com Piá para o Jornal de Limeira. Foi um bate-papo muito legal, regado a samba e cerveja. Bem ao estilo dele. E ao meu.
Piá: bad boy ou sangue bom?
25/05/2008
Jogador fala sobre imprensa, times grandes e novo clube
Piá ganhou fama com o futebol. É o último jogador revelado pela Internacional de Limeira cuja técnica foi reconhecida por grandes clubes brasileiros. Meia-armador criativo e de passes precisos, acabou rotulado de bad boy primeiramente por gostar da boemia. Depois porque teve o nome verdadeiro - até então pouco conhecido - escrito nas fichas policiais por conta de problemas com pensão alimentícia e acusação de participação em um assassinato.
Aos 33 anos, Reginaldo Revelino Jandoso quase viu sua carreira acabar em um processo no qual era acusado de co-autoria em homicídio. Absolvido no mês passado, respirou aliviado. Mas não tanto a ponto de receber o repórter do Jornal de Limeira sem desconfiança.
A imprensa, para Piá, esqueceu os bons momentos que ele teve para se dedicar apenas a noticiar os problemas extracampo. "Não tenho só coisas ruins para ser divulgadas", diz serenamente segurando um copo de cerveja em um bar da 4ª Etapa do Parque Nossa Senhora das Dores. É neste boteco aconchegante - nomeado por ele como "Bar Vip", que ele recebe o Jornal de Limeira.
Piá está entretido com uma partida de truco. Interrompe o jogo momentaneamente para perguntar se o repórter quer beber alguma coisa. Coca-cola, guaraná, cerveja... Depois pede à dona do boteco que sirva uma cerveja. Ele retorna à mesa para terminar o jogo de truco e ficar, depois, sossegado para a entrevista.
A dona do bar diz que procurava um nome para o estabelecimento quando Piá deu a sugestão. Todos gostaram e ficou "Bar Vip". Ela é vice-presidente da Escola de Samba Nova Cidade. A agremiação desfilou no carnaval de rua de Limeira neste ano. E já está ensaiando para o ano que vem. O samba transpira no ambiente. O grupo Nova Malícia, convidado da tarde, toca partido alto e pagodes da moda.
Piá termina o truco, pega duas cadeiras e vai para a calçada. Ali, com o pagode ao fundo, transcorre a conversa. Ele não esconde que gosta de beber com os amigos. Não faz gênero, não se justifica. Só observa em silêncio tendo a testa franzida e a mão no copo.
Quando começou, nos juniores da Inter, em 1991, Piá era apenas mais um aspirante a camisa 10 de um time profissional. Oriundo de Leópolis, no Paraná, chegou a Limeira quando tinha seis anos de idade. Teve uma infância difícil, como a maioria dos garotos que tenta o sucesso no futebol.
Em 1996, no profissional da Inter, começou a caminhada rumo ao reconhecimento. Foi campeão matogrossense no Operário de Campo Grande, campeão mineiro no Cruzeiro e do Torneio Rio-São Paulo em 97, com o Santos.
NO SANTOS
A primeira venda ocorreu justamente para o Peixe que, com Piá no time titular, calou quase 30 mil torcedores que apostavam em Romário, Sávio e Cia. para vencer a partida no Maracanã. O 2 a 2 deu o título ao Santos e Piá estava sentindo o gostinho da consagração.
Mas aí vieram os desentendimentos com com o técnico Vanderlei Luxemburgo. "Ele não é chato. É um disciplinador", ressalta, meio reflexivo. "Não me arrependo de nada, mas se pudesse, faria muita coisa diferente do que fiz", emenda, logo após uma curta pausa.
A permanência no Santos ficou difícil e Piá foi vendido à Ponte Preta pelo maior valor já pago por um time do interior: US$ 1,5 milhão. A Macaca acolheu Piá bem. Ele ficou oito anos no clube e até hoje mantém amigos em Campinas, que visita constantemente. "Tenho um vínculo muito grande com a Ponte Preta. Foi o clube que eu mais gostei de trabalhar", declara.
O parceiro de todas as horas é o goleiro Lauro, ex-Ponte Preta, que marcou um gol de cabeça antológico contra o Flamengo no Campeonato Brasileiro de 2003, empatando a partida para a Macaca aos 52 minutos do segundo tempo.
Depois de quase uma década na Ponte, Piá é vendido ao Corinthians. Uma transação polêmica, bancada pelo gerente de futebol do Timão, o ex-jogador Roberto Rivellino. Quando Piá chegou, o Corinthians já andava mal das pernas financeiramente e dentro de campo. Trocou o técnico Juninho Fonseca por Oswaldo de Oliveira na esperança de um bom Campeonato Paulista, mas só conseguiu escapar do rebaixamento, graças ao São Paulo, que venceu o Juventus na última rodada.
O clima pesou para Rivellino quando ele declarou que Mustafá Contursi (presidente do Palmeiras) sabia administrar o Verdão melhor que os cartolas corintianos dirigiam o Corinthians. O ex-jogador foi fritado, deixou o time do Parque São Jorge e os jogadores que ele tinha trazido - entre eles, Piá - ficaram numa situação delicada. "O Citadini (Antonio Roque Citadini, braço direito do então presidente Alberto Dualib) atrapalhou bastante", diz Piá. "Se não fossem as divergências, teria sido melhor. Dentro de campo o trabalho estava sendo feito", afirma, elogiando o técnico Oswaldo de Oliveira, a quem classifica de "amigo particular". "Fui titular em todos os jogos".
Do Corinthians, Piá foi para a Portuguesa, onde disputou a Série B do Campeonato Brasileiro. Faltou pouco para a Lusa subir. Segundo ele, foram seis meses de bom futebol. Em seguida, foi contratado pelo Santa Cruz, time pelo qual foi campeão estadual em 2005 depois de um jejum de nove anos no Campeonato Pernambucano. Neste ano, o Santa Cruz também ascendeu à Série A do Campeonato Brasileiro.
SAMPAIO CORRÊA
Os problemas extracampo - processo por pensão alimentícia e porte ilegal de arma - atrapalharam a permanência de Piá no Santa Cruz e ele veio para o União São João de Araras, time pelo qual ele disputou o Campeonato Paulista de 2006 e parte de 2007, quando foi contratado pelo São Raimundo, de Manaus. Piá foi um dos artilheiros do time no Campeonato Brasileiro da Série B com oito gols, apesar de ser meia-armador. "Nem sei quantos gols marquei. Nunca me preocupei em anotar porque minha função dentro de campo é mais servir", explica Piá.
No mesmo ano, Piá voltou para o União São João de Araras e, logo em seguida, foi acertada sua transferência para o Ituano. Depois, foi contratado pelo Comercial de Ribeirão Preto e terminou o Campeonato Paulista de 2008 pelo Rio Preto.
Contratado semana passada pelo Sampaio Corrêa, o principal time do Maranhão, Piá vai disputar a Copa Maranhense e o Campeonato Brasileiro da Série C. A princípio, Piá jogaria a Série B pelo América do Rio Grande do Norte. Mas acabou acertando com o clube do Maranhão, onde trabalhará com um amigo seu, o técnico Celso Teixeira, que é de Campinas. "O Sampaio Corrêa cobriu a proposta do América", diz, sem revelar valores.
O jogador já está no Maranhão, onde foi destaque do jornal "O Estado do Maranhão" e do site oficial do Sampaio Corrêa, no qual foi chamado de craque. "Espero fazer um bom trabalho no novo clube. Mas estarei sempre ligado a Limeira, que eu adoro", comenta.
Piá, apesar da fama de boêmio, nunca deixou de treinar regularmente e está em forma. "Só preciso de ritmo de jogo", disse ao Jornal de Limeira, na semana passada. O atleta revelado pela Internacional de Limeira deve estrear após 15 dias. A julgar pelo tratamento da imprensa e torcida maranhense, a fama de bad boy ficou para trás. O que o Sampaio Corrêa vê, assim como os amigos, é um atleta de garra, um Piá sangue bom.
Pingue-pongue com Piá
Jornal de Limeira - Vai jogar no Sampaio Corrêa?
Piá - Está tudo acertado. Tenho um grande amigo lá, o Celso Teixeira, que é de Campinas.
JL - Você se arrepende de alguma coisa?
Piá - Não me arrependo de nada. Mas se eu pudesse mudar o passado, eu faria muita coisa diferente do que fiz.
JL - O que, por exemplo?
Piá - Gostaria de estar aqui quando o Pecos (ex-jogador da Inter) morreu. Era um grande amigo e fiquei muito sentido. Na época eu estava no Paok, da Grécia.
JL - De que cidade é o Paok?
Piá - É de Thessalomik, perto de Atenas.
JL - A temporada lá foi boa?
Piá - Eu fui numa época ruim. Fazia 15, 20 graus negativos. Muito frio. O verão lá que é maravilhoso. Tem as praias mais bonitas do mundo.
JL - Como você a situação da Inter e do Galo?
Piá - Fico muito triste. Falta apoio dos empresários. Já vi cidades menores com times mais estruturados.
JL - O que você acha de Limeira?
Piá - Adoro Limeira. Não consigo ficar longe daqui. Mas a cidade é muito pobre em opções para diversão.
Há dois anos, fiz uma entrevista com Piá para o Jornal de Limeira. Foi um bate-papo muito legal, regado a samba e cerveja. Bem ao estilo dele. E ao meu.
Piá: bad boy ou sangue bom?
25/05/2008
Jogador fala sobre imprensa, times grandes e novo clube
Piá ganhou fama com o futebol. É o último jogador revelado pela Internacional de Limeira cuja técnica foi reconhecida por grandes clubes brasileiros. Meia-armador criativo e de passes precisos, acabou rotulado de bad boy primeiramente por gostar da boemia. Depois porque teve o nome verdadeiro - até então pouco conhecido - escrito nas fichas policiais por conta de problemas com pensão alimentícia e acusação de participação em um assassinato.
Aos 33 anos, Reginaldo Revelino Jandoso quase viu sua carreira acabar em um processo no qual era acusado de co-autoria em homicídio. Absolvido no mês passado, respirou aliviado. Mas não tanto a ponto de receber o repórter do Jornal de Limeira sem desconfiança.
A imprensa, para Piá, esqueceu os bons momentos que ele teve para se dedicar apenas a noticiar os problemas extracampo. "Não tenho só coisas ruins para ser divulgadas", diz serenamente segurando um copo de cerveja em um bar da 4ª Etapa do Parque Nossa Senhora das Dores. É neste boteco aconchegante - nomeado por ele como "Bar Vip", que ele recebe o Jornal de Limeira.
Piá está entretido com uma partida de truco. Interrompe o jogo momentaneamente para perguntar se o repórter quer beber alguma coisa. Coca-cola, guaraná, cerveja... Depois pede à dona do boteco que sirva uma cerveja. Ele retorna à mesa para terminar o jogo de truco e ficar, depois, sossegado para a entrevista.
A dona do bar diz que procurava um nome para o estabelecimento quando Piá deu a sugestão. Todos gostaram e ficou "Bar Vip". Ela é vice-presidente da Escola de Samba Nova Cidade. A agremiação desfilou no carnaval de rua de Limeira neste ano. E já está ensaiando para o ano que vem. O samba transpira no ambiente. O grupo Nova Malícia, convidado da tarde, toca partido alto e pagodes da moda.
Piá termina o truco, pega duas cadeiras e vai para a calçada. Ali, com o pagode ao fundo, transcorre a conversa. Ele não esconde que gosta de beber com os amigos. Não faz gênero, não se justifica. Só observa em silêncio tendo a testa franzida e a mão no copo.
Quando começou, nos juniores da Inter, em 1991, Piá era apenas mais um aspirante a camisa 10 de um time profissional. Oriundo de Leópolis, no Paraná, chegou a Limeira quando tinha seis anos de idade. Teve uma infância difícil, como a maioria dos garotos que tenta o sucesso no futebol.
Em 1996, no profissional da Inter, começou a caminhada rumo ao reconhecimento. Foi campeão matogrossense no Operário de Campo Grande, campeão mineiro no Cruzeiro e do Torneio Rio-São Paulo em 97, com o Santos.
NO SANTOS
A primeira venda ocorreu justamente para o Peixe que, com Piá no time titular, calou quase 30 mil torcedores que apostavam em Romário, Sávio e Cia. para vencer a partida no Maracanã. O 2 a 2 deu o título ao Santos e Piá estava sentindo o gostinho da consagração.
Mas aí vieram os desentendimentos com com o técnico Vanderlei Luxemburgo. "Ele não é chato. É um disciplinador", ressalta, meio reflexivo. "Não me arrependo de nada, mas se pudesse, faria muita coisa diferente do que fiz", emenda, logo após uma curta pausa.
A permanência no Santos ficou difícil e Piá foi vendido à Ponte Preta pelo maior valor já pago por um time do interior: US$ 1,5 milhão. A Macaca acolheu Piá bem. Ele ficou oito anos no clube e até hoje mantém amigos em Campinas, que visita constantemente. "Tenho um vínculo muito grande com a Ponte Preta. Foi o clube que eu mais gostei de trabalhar", declara.
O parceiro de todas as horas é o goleiro Lauro, ex-Ponte Preta, que marcou um gol de cabeça antológico contra o Flamengo no Campeonato Brasileiro de 2003, empatando a partida para a Macaca aos 52 minutos do segundo tempo.
Depois de quase uma década na Ponte, Piá é vendido ao Corinthians. Uma transação polêmica, bancada pelo gerente de futebol do Timão, o ex-jogador Roberto Rivellino. Quando Piá chegou, o Corinthians já andava mal das pernas financeiramente e dentro de campo. Trocou o técnico Juninho Fonseca por Oswaldo de Oliveira na esperança de um bom Campeonato Paulista, mas só conseguiu escapar do rebaixamento, graças ao São Paulo, que venceu o Juventus na última rodada.
O clima pesou para Rivellino quando ele declarou que Mustafá Contursi (presidente do Palmeiras) sabia administrar o Verdão melhor que os cartolas corintianos dirigiam o Corinthians. O ex-jogador foi fritado, deixou o time do Parque São Jorge e os jogadores que ele tinha trazido - entre eles, Piá - ficaram numa situação delicada. "O Citadini (Antonio Roque Citadini, braço direito do então presidente Alberto Dualib) atrapalhou bastante", diz Piá. "Se não fossem as divergências, teria sido melhor. Dentro de campo o trabalho estava sendo feito", afirma, elogiando o técnico Oswaldo de Oliveira, a quem classifica de "amigo particular". "Fui titular em todos os jogos".
Do Corinthians, Piá foi para a Portuguesa, onde disputou a Série B do Campeonato Brasileiro. Faltou pouco para a Lusa subir. Segundo ele, foram seis meses de bom futebol. Em seguida, foi contratado pelo Santa Cruz, time pelo qual foi campeão estadual em 2005 depois de um jejum de nove anos no Campeonato Pernambucano. Neste ano, o Santa Cruz também ascendeu à Série A do Campeonato Brasileiro.
SAMPAIO CORRÊA
Os problemas extracampo - processo por pensão alimentícia e porte ilegal de arma - atrapalharam a permanência de Piá no Santa Cruz e ele veio para o União São João de Araras, time pelo qual ele disputou o Campeonato Paulista de 2006 e parte de 2007, quando foi contratado pelo São Raimundo, de Manaus. Piá foi um dos artilheiros do time no Campeonato Brasileiro da Série B com oito gols, apesar de ser meia-armador. "Nem sei quantos gols marquei. Nunca me preocupei em anotar porque minha função dentro de campo é mais servir", explica Piá.
No mesmo ano, Piá voltou para o União São João de Araras e, logo em seguida, foi acertada sua transferência para o Ituano. Depois, foi contratado pelo Comercial de Ribeirão Preto e terminou o Campeonato Paulista de 2008 pelo Rio Preto.
Contratado semana passada pelo Sampaio Corrêa, o principal time do Maranhão, Piá vai disputar a Copa Maranhense e o Campeonato Brasileiro da Série C. A princípio, Piá jogaria a Série B pelo América do Rio Grande do Norte. Mas acabou acertando com o clube do Maranhão, onde trabalhará com um amigo seu, o técnico Celso Teixeira, que é de Campinas. "O Sampaio Corrêa cobriu a proposta do América", diz, sem revelar valores.
O jogador já está no Maranhão, onde foi destaque do jornal "O Estado do Maranhão" e do site oficial do Sampaio Corrêa, no qual foi chamado de craque. "Espero fazer um bom trabalho no novo clube. Mas estarei sempre ligado a Limeira, que eu adoro", comenta.
Piá, apesar da fama de boêmio, nunca deixou de treinar regularmente e está em forma. "Só preciso de ritmo de jogo", disse ao Jornal de Limeira, na semana passada. O atleta revelado pela Internacional de Limeira deve estrear após 15 dias. A julgar pelo tratamento da imprensa e torcida maranhense, a fama de bad boy ficou para trás. O que o Sampaio Corrêa vê, assim como os amigos, é um atleta de garra, um Piá sangue bom.
Pingue-pongue com Piá
Jornal de Limeira - Vai jogar no Sampaio Corrêa?
Piá - Está tudo acertado. Tenho um grande amigo lá, o Celso Teixeira, que é de Campinas.
JL - Você se arrepende de alguma coisa?
Piá - Não me arrependo de nada. Mas se eu pudesse mudar o passado, eu faria muita coisa diferente do que fiz.
JL - O que, por exemplo?
Piá - Gostaria de estar aqui quando o Pecos (ex-jogador da Inter) morreu. Era um grande amigo e fiquei muito sentido. Na época eu estava no Paok, da Grécia.
JL - De que cidade é o Paok?
Piá - É de Thessalomik, perto de Atenas.
JL - A temporada lá foi boa?
Piá - Eu fui numa época ruim. Fazia 15, 20 graus negativos. Muito frio. O verão lá que é maravilhoso. Tem as praias mais bonitas do mundo.
JL - Como você a situação da Inter e do Galo?
Piá - Fico muito triste. Falta apoio dos empresários. Já vi cidades menores com times mais estruturados.
JL - O que você acha de Limeira?
Piá - Adoro Limeira. Não consigo ficar longe daqui. Mas a cidade é muito pobre em opções para diversão.
terça-feira, 1 de junho de 2010
A campeã voltou!
Manchete do Jornal de Limeira nos enche de alegria e orgulho: a Winner voltou!
Além de ajudar a resgatar nossa autoestima - a Inter também está rumando para a ascensão - a montagem de um time profissional de basquete oferece mais uma opção de lazer saudável e pra lá de divertido.
Ultimamente, só o Galo da Vila Esteves anda fazendo uma legião de fãs chorar de tristeza.
Pobre Independente!
Além de ajudar a resgatar nossa autoestima - a Inter também está rumando para a ascensão - a montagem de um time profissional de basquete oferece mais uma opção de lazer saudável e pra lá de divertido.
Ultimamente, só o Galo da Vila Esteves anda fazendo uma legião de fãs chorar de tristeza.
Pobre Independente!
segunda-feira, 31 de maio de 2010
domingo, 30 de maio de 2010
Bom clássico
O Corinthians venceu o Santos com méritos. Mas o juiz quase estraga o espetáculo. Na verdade, a anulação de um gol legítimo naquele momento da partida teve desdobramentos que complicaram o Peixe.
Em tempo
O Neto (insuspeito) cantou a bola no Terceiro Tempo da Band, logo depois do jogo: "pra ver se há impedimento, só com tira-teima e ainda dependerá de quem comandar o equipamento... Se for corintiano..."
Neto cravou que o gol foi legal.
É, a coisa tá feia...
Quando o brucutu corintiano toca a bola, não há impedimento. Logicamente, milésimos de segundos depois - quando o chute pega em outro brucutu corintiano e no André - ele já está um pouco mais à frente. Mesmo assim, o bandeirinha levantou o instrumento de trabalho com uma convicção espantosa. E o juiz anulou o gol numa velocidade mais espantosa ainda...
Há gente falando que a arbitragem já começou a operação salva-centenário do Corinthians. Afinal, outros times foram garfados contra o Timão em rodadas anteriores. Mas não acredito nisso. A juizada no Brasil é muito ruim mesmo.
Ouvi também que não dá para reclamar da ajuda do árbitro ao Corinthians porque o Peixe também teria sido "ajudado" pela arbitragem na final do Paulista. Não, meus amigos corintianos. Se tivesse intenção do juiz ajudar o campeão paulista de 2010 ele não teria destroçado a equipe alvinegra praiana com vários cartões vermelhos.
Além disso, o Santos teve quadro gols legítimos anulados ao longo da temporada, fora as faltas grotescas contra o ataque santista e nem sempre punidas.
É preciso ter inteligência e sangue-frio para fazer uma boa análise. Como dizia o filósofo do futebol, "uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa".
O Santos foi infinitamente melhor no primeiro tempo. Engoliu o Corinthians. No segundo, o time de Mano Menezes foi melhor.
O Santos perdeu gols incríveis. Ao contrário do Corinthians, que atuou o tempo inteiro concentrado, com raça, o Peixe teve vários momentos de displicência. Dir-se-ia que foi até meio arrogante em jogadas que exigiam cuidado, arroz-feijão.
A arbitragem prejudicou demais o Santos, embora tivesse errado também contra o Corinthians.
A vitória, porém, foi justa.
E o Santos não jogou tão mal, não. Serve de experiência para um time que só tende a crescer, a melhorar e a continuar encantando o Brasil e o Exterior. Afinal, o Peixe é o time a ser batido. Hoje, quem gera controvérsia, polêmica, discussão, é o Santos. E isso é maravilhoso para o futebol, que vinha numa mesmice espantosa.
Em tempo
O Neto (insuspeito) cantou a bola no Terceiro Tempo da Band, logo depois do jogo: "pra ver se há impedimento, só com tira-teima e ainda dependerá de quem comandar o equipamento... Se for corintiano..."
Neto cravou que o gol foi legal.
É, a coisa tá feia...
Quando o brucutu corintiano toca a bola, não há impedimento. Logicamente, milésimos de segundos depois - quando o chute pega em outro brucutu corintiano e no André - ele já está um pouco mais à frente. Mesmo assim, o bandeirinha levantou o instrumento de trabalho com uma convicção espantosa. E o juiz anulou o gol numa velocidade mais espantosa ainda...
Há gente falando que a arbitragem já começou a operação salva-centenário do Corinthians. Afinal, outros times foram garfados contra o Timão em rodadas anteriores. Mas não acredito nisso. A juizada no Brasil é muito ruim mesmo.
Ouvi também que não dá para reclamar da ajuda do árbitro ao Corinthians porque o Peixe também teria sido "ajudado" pela arbitragem na final do Paulista. Não, meus amigos corintianos. Se tivesse intenção do juiz ajudar o campeão paulista de 2010 ele não teria destroçado a equipe alvinegra praiana com vários cartões vermelhos.
Além disso, o Santos teve quadro gols legítimos anulados ao longo da temporada, fora as faltas grotescas contra o ataque santista e nem sempre punidas.
É preciso ter inteligência e sangue-frio para fazer uma boa análise. Como dizia o filósofo do futebol, "uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa".
O Santos foi infinitamente melhor no primeiro tempo. Engoliu o Corinthians. No segundo, o time de Mano Menezes foi melhor.
O Santos perdeu gols incríveis. Ao contrário do Corinthians, que atuou o tempo inteiro concentrado, com raça, o Peixe teve vários momentos de displicência. Dir-se-ia que foi até meio arrogante em jogadas que exigiam cuidado, arroz-feijão.
A arbitragem prejudicou demais o Santos, embora tivesse errado também contra o Corinthians.
A vitória, porém, foi justa.
E o Santos não jogou tão mal, não. Serve de experiência para um time que só tende a crescer, a melhorar e a continuar encantando o Brasil e o Exterior. Afinal, o Peixe é o time a ser batido. Hoje, quem gera controvérsia, polêmica, discussão, é o Santos. E isso é maravilhoso para o futebol, que vinha numa mesmice espantosa.
Seleções

Seleção de verdade é feita dos melhores. E não dos que simplesmente repetem a ladainha do chefe, como é o caso da atual Seleção Brasileira.
E o jogador diferenciado é quem enriquece a arte dos gramados.
Só um craque do jornalismo pra fazer uma matéria tão rica como a publicada hoje pelo Jornal de Limeira. O corintiano Murilo Biagioli entrevistou Pepe e Waldir Peres, que dispensam apresentações. Foi uma lufada de ar fresco em tempos de discursos fascistas, principalmente no futebol.
À medida que fui lendo a matéria, meus olhos foram marejando. Uma das minhas poucas verdadeiras alegrias sempre foi o Santos.
Quando alguém escreve com tanta sensibilidade e respeito sobre o Peixe e o futebol arte, emocionar-se é inevitável.
Todos os domingos, o Jornal de Limeira nos brinda com reportagens diferenciadas. Em vez de reformas gráficas mirabolantes e pretensiosas como as da Folha de S. Paulo, o JL investe no conteúdo. E ainda tem o layout mais bonito da região.
Como diz o técnico Muricy Ramalho (sempre envolvido com tricolores): "aqui é trabalho".
Mais uma vez, neste domingo, a Seleção do Jornal de Limeira botou pra quebrar. Da manchete ao caderno de esportes.
A matéria de Murilo foi cereja do bolo.
Leia, abaixo, a poesia em forma de reportagem que o futuro promotor escreveu.
Pepe e Waldir Peres: craques da bola e da palavra

Ensaios da arte com chuteiras
Do Jornal de Limeira
Murilo Biagioli
Apaixonado, sonhador, devaneador. A definição romântica, aplicada ao futebol brasileiro na era Pelé, ícone maior de um estilo inigualável de jogo, era uma realidade que marcou gerações e hoje é usada como referência e comparação para se fugir do pragmatismo do futebol de resultados e de marcação. Não é por outro motivo que atualmente times como o Barcelona de Messi, Ibrahimovic e Thierry Henry, ou ainda o Santos de Robinho, Neymar e Paulo Henrique Ganso, são contemplados e exaltados por torcedores de todo o mundo.
O segredo para a retomada do futebol arte, para o ex-ponteiro José Macia, o Pepe, e o ex-goleiro Waldir Peres, passam principalmente pela postura dos técnicos e pela qualidade técnica dos jogadores. Ambos marcaram época na Seleção Brasileira e estiveram no comando da Inter de Limeira em anos anteriores.
Do Jornal de Limeira
Murilo Biagioli
Apaixonado, sonhador, devaneador. A definição romântica, aplicada ao futebol brasileiro na era Pelé, ícone maior de um estilo inigualável de jogo, era uma realidade que marcou gerações e hoje é usada como referência e comparação para se fugir do pragmatismo do futebol de resultados e de marcação. Não é por outro motivo que atualmente times como o Barcelona de Messi, Ibrahimovic e Thierry Henry, ou ainda o Santos de Robinho, Neymar e Paulo Henrique Ganso, são contemplados e exaltados por torcedores de todo o mundo.
O segredo para a retomada do futebol arte, para o ex-ponteiro José Macia, o Pepe, e o ex-goleiro Waldir Peres, passam principalmente pela postura dos técnicos e pela qualidade técnica dos jogadores. Ambos marcaram época na Seleção Brasileira e estiveram no comando da Inter de Limeira em anos anteriores.
Embora façam uma análise saudosista do Brasil de 1958 a 1982, veem a seleção de Dunga como um bom time, com atletas talentosos, mas que esbarra na questão do futebol de força. Aliar isso com a inspiração aparece como o desafio dos times destes tempos modernos. Mesmo assim, Pepe e Waldir Peres não perdem o otimismo da possibilidade do sexto título mundial.
O INÍCIO
A Seleção de 1958, treinada por Vicente Feola e que tinha Didi, Garrincha, Pelé, Vavá e Zagallo - Pepe fazia parte do grupo, mas não pôde jogar por causa de uma contusão -, era um time extremamente ofensivo. "Em um só campeonato, teve dois gênios no mesmo time, Pelé e Garrincha. Eles eram esplêndidos. Quando a coisa apertava, a gente dava a bola para o Mané e o Pelé fazia o gol", relembra Pepe.
O esquema 4-4-2, desde aquela época, era o padrão das equipes, mas o diferencial foi a ideia de Feola, que colocou dois ponteiros. De um lado, Pepe, do outro, Garrincha. "Quando eu me contundi, entrou o Zagallo, que atuava um pouco mais recuado, mesmo assim o Brasil se adaptou ao 4-3-3", afirma o ex-jogador e técnico. Uma adaptação que se transformou em superioridade patente. "Na final, os suecos já entraram em campo nos olhando com admiração. Sabiam que seriam vice". O resultado foi 5 a 2 para o Brasil e o primeiro título mundial na casa do adversário.
O show brasileiro prosseguiu em 1962, com o bicampeonato. Pepe também estava na equipe, mas foi atrapalhado por uma nova lesão. Foi para a Copa, disputada no Chile, e novamente presenciou Mané, com seus dribles desconsertantes, se consagrar, seguido por Pelé, Vavá e companhia. Na final, 3 a 1 contra a Tchecoslováquia, de virada.
ARTISTAS DA VILA
Esse futebol arte era o mesmo do time da Vila Belmiro, que, segundo Pepe, atuava com seis atacantes. "A defesa ficava mais exposta e também era cobrada, embora fossem todos jogadores de Seleção". O Santos de 1962, campeão mundial contra o Benfica, jogava com Gilmar; Lima, Mauro, Dalmo e Calvet; Zito, Dorval, Megálvio, Coutinho, Pelé e Pepe, uma escalação repetida a exaustão por torcedores, fanáticos ou não. "Na década de 60, marcávamos mais de 100 gols por ano, sempre", disse Pepe.
De acordo com o ex-ponteiro, esse futebol arte foi preponderante até 1974, quando Pelé anunciou que deixava o futebol.
"Para se priorizar o ataque, é preciso ter bons jogadores. O Guardiola [técnico do Barcelona], que foi meu jogador no Qatar, sempre gostou de dois ponteiros e no Barcelona também prioriza isso", declarou Pepe. Como Dunga sempre foi um atleta de marcação forte, carrega essa característica no selecionado brasileiro. "Mas temos bons atacantes, como o Luís Fabiano, o Nilmar e o Robinho. Só achei errado não levar o Ganso. Se futebol é momento, ele se mostra um jogador excepcional. Essa foi a grande falha do Dunga."
MARCAÇÃO X MARCAÇÃO
Outro detalhe atentado por Waldir Peres é que, apesar das características do treinador da Seleção Brasileira, o futebol hoje é de mais marcação. "O objetivo é não deixar jogar e há atletas específicos para essa função, por isso os Meninos da Vila, que vão contra a essa corrente, eram aclamados para a Seleção", afirmou.
O ex-goleiro torce pela equipe canarinho na Copa, mas não esconde as saudades de times como a Hungria de 1954, o próprio Brasil de 1970, a Holanda de 1974 e o seu Brasil de 1982, para ele o último selecionado que encantou com sua técnica e estilo de jogo, mas que foi prematuramente eliminado nas quartas de finais pela Itália, por 3 a 2. A seleção, além de Waldir Peres no gol, tinha jogadores como Júnior, Toninho Cerezo, Falcão, Sócrates e Zico. O técnico era Telê Santana. "Ninguém se recorda do time de 1994, que foi campeão mundial. É o futebol redondo, bonito, que fica marcado."
sábado, 29 de maio de 2010
Neto detona Dunga!
Sou leitor assíduo da coluna do ex-jogador Neto. Nem sempre concordo com ele, mas o cara consegue fugir da mesmice que assola o futebol brasileiro. É mais ou menos como o time do Santos.
Nos seus comentários sobre o técnico da Seleção Brasileira ele revela o Dunga antes e depois de virar comandante.
Todo mundo sabe que Dunga até tentou ser técnico de clube, mas não durou dois dias. Foi um fiasco. Mas a CBF queria justamente um fantoche que desse a impressão de independência. E aí apareceu o espertalhão. Brahmeiro, guerreiro, barraqueiro.
O que impressiona não é nem o fato de o rapaz ser turrão por vingança – sim, Dunga mostra teimosia principalmente quando é contrariado. O que surpreende em Dunga é sua mediocridade. Sua baixeza. Dunga é um arremedo de João Saldanha.
O torcedor que acompanha futebol de longe dirá que ele foi o grande responsável pela classificação nas eliminatórias. Pura falta de informação misturada com inocência.
Como disse Dorival Jr. dias atrás, quem ganha jogo é jogador. O máximo que técnico pode fazer é não atrapalhar. Existe um certo exagero na frase, mas reflete bem o que significa estar no comando de um time: pouca coisa.
Se o time não for bom, não quiser ou não estiver entrosado, fatalmente os resultados serão pífios.
A Seleção Brasileira começou mal. Suas primeiras partidas nas eliminatórias foram terríveis. E contra times medíocres. Depois engrenou, como era de se esperar. Ah, mas venceu bem a Argentina. Verdade. E com méritos. Mas aquela Argentina estava desfigurada técnica e taticamente.
Pode ser que o Brasil cruze novamente com a Argentina e aplique uma goleada. Acontecem coisas estranhas no futebol. Mas você está mais ansioso para ver Gilberto Silva ou Messi?
Não tenhamos ilusões idiotas. Dunga deixou craques de fora porque é um Vanderlei Luxemburgo travestido em pele de cordeiro. Está se achando. E o pior de tudo é que sua burrice é maior do que a de Luxemburgo.
A sorte do Brasil é que todas as seleções – exceções talvez feitas à Argentina e à Espanha – estão niveladas por baixo. Teoricamente, o Brasil só precisa fazer o básico para ser hexacampeão.
Mas, quer saber? Eu gosto de futebol. Quero ver o Brasil campeão por uma questão de mera formalidade.
Esperança mesmo, quem nos dá é a Argentina. É o time dirigido por Maradona que nos excita a imaginação, que provoca polêmica, que monopoliza as conversas à mesa de bar. Enfim, por incrível que pareça, o prazer de assistir aos jogos está sendo fomentado pelo principal rival do Brasil.
Perguntem a qualquer pessoa que saiba o mínimo sobre futebol se a seleção mais lembrada é a de 82 ou a de 94. A de 82 eu sei de cor. A de 94 não me lembro nem do goleiro. Nem do técnico. Nem de ninguém. Graças a Deus.
Dunga politicamente correto? Duvido!
Neto - coluna no Yahoo!
Acompanhei pela televisão a chegada da seleção brasileira à capital Brasília e achei um absurdo a forma como o Dunga se comportou. O técnico apertou a mão do presidente Lula de uma forma desleixada, sem mostrar nenhum tipo de respeito ou admiração.
Tem muita gente que pode estar achando que estou perseguindo o Dunga. Mas não é nada disso. Eu o conheço há muitos anos e sei que esse sujeito está se achando o tal. A estrela mais brilhante da seleção. Piada, né?
A grande verdade dos fatos é que o treinador da seleção tem tomado algumas atitudes politicamente corretas por pura orientação. A grande vontade dele é ganhar o título mundial e mandar todo mundo passear.
Ele ficou assim desde a chamada “Geração Dunga” da Copa de 90.
Não conseguiu assimilar até hoje a perseguição e humilhação da opinião pública. Vive sob esse revanchismo. Acho isso muito triste pra ele e temeroso para nós.
Digo isso porque ele pode transformar essa Seleção em um barril de pólvoras por excesso de motivação.
É lógico que não queremos na Seleção aquela zona que foi 2006. Mas clima de guerra e de quartel militar também não é saudável. Ou ele repensa sua postura (o que acho quase impossível), ou estamos sujeitos ao fracasso nesse Mundial.
Nos seus comentários sobre o técnico da Seleção Brasileira ele revela o Dunga antes e depois de virar comandante.
Todo mundo sabe que Dunga até tentou ser técnico de clube, mas não durou dois dias. Foi um fiasco. Mas a CBF queria justamente um fantoche que desse a impressão de independência. E aí apareceu o espertalhão. Brahmeiro, guerreiro, barraqueiro.
O que impressiona não é nem o fato de o rapaz ser turrão por vingança – sim, Dunga mostra teimosia principalmente quando é contrariado. O que surpreende em Dunga é sua mediocridade. Sua baixeza. Dunga é um arremedo de João Saldanha.
O torcedor que acompanha futebol de longe dirá que ele foi o grande responsável pela classificação nas eliminatórias. Pura falta de informação misturada com inocência.
Como disse Dorival Jr. dias atrás, quem ganha jogo é jogador. O máximo que técnico pode fazer é não atrapalhar. Existe um certo exagero na frase, mas reflete bem o que significa estar no comando de um time: pouca coisa.
Se o time não for bom, não quiser ou não estiver entrosado, fatalmente os resultados serão pífios.
A Seleção Brasileira começou mal. Suas primeiras partidas nas eliminatórias foram terríveis. E contra times medíocres. Depois engrenou, como era de se esperar. Ah, mas venceu bem a Argentina. Verdade. E com méritos. Mas aquela Argentina estava desfigurada técnica e taticamente.
Pode ser que o Brasil cruze novamente com a Argentina e aplique uma goleada. Acontecem coisas estranhas no futebol. Mas você está mais ansioso para ver Gilberto Silva ou Messi?
Não tenhamos ilusões idiotas. Dunga deixou craques de fora porque é um Vanderlei Luxemburgo travestido em pele de cordeiro. Está se achando. E o pior de tudo é que sua burrice é maior do que a de Luxemburgo.
A sorte do Brasil é que todas as seleções – exceções talvez feitas à Argentina e à Espanha – estão niveladas por baixo. Teoricamente, o Brasil só precisa fazer o básico para ser hexacampeão.
Mas, quer saber? Eu gosto de futebol. Quero ver o Brasil campeão por uma questão de mera formalidade.
Esperança mesmo, quem nos dá é a Argentina. É o time dirigido por Maradona que nos excita a imaginação, que provoca polêmica, que monopoliza as conversas à mesa de bar. Enfim, por incrível que pareça, o prazer de assistir aos jogos está sendo fomentado pelo principal rival do Brasil.
Perguntem a qualquer pessoa que saiba o mínimo sobre futebol se a seleção mais lembrada é a de 82 ou a de 94. A de 82 eu sei de cor. A de 94 não me lembro nem do goleiro. Nem do técnico. Nem de ninguém. Graças a Deus.
Dunga politicamente correto? Duvido!
Neto - coluna no Yahoo!
Acompanhei pela televisão a chegada da seleção brasileira à capital Brasília e achei um absurdo a forma como o Dunga se comportou. O técnico apertou a mão do presidente Lula de uma forma desleixada, sem mostrar nenhum tipo de respeito ou admiração.
Tem muita gente que pode estar achando que estou perseguindo o Dunga. Mas não é nada disso. Eu o conheço há muitos anos e sei que esse sujeito está se achando o tal. A estrela mais brilhante da seleção. Piada, né?
A grande verdade dos fatos é que o treinador da seleção tem tomado algumas atitudes politicamente corretas por pura orientação. A grande vontade dele é ganhar o título mundial e mandar todo mundo passear.
Ele ficou assim desde a chamada “Geração Dunga” da Copa de 90.
Não conseguiu assimilar até hoje a perseguição e humilhação da opinião pública. Vive sob esse revanchismo. Acho isso muito triste pra ele e temeroso para nós.
Digo isso porque ele pode transformar essa Seleção em um barril de pólvoras por excesso de motivação.
É lógico que não queremos na Seleção aquela zona que foi 2006. Mas clima de guerra e de quartel militar também não é saudável. Ou ele repensa sua postura (o que acho quase impossível), ou estamos sujeitos ao fracasso nesse Mundial.
terça-feira, 4 de maio de 2010
domingo, 2 de maio de 2010
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Mundo animal

Futebolês, gafes e Galvão perdido: 16 horas de TV na "Superquarta" do futebol
Mauricio Stycer
Especial para o UOL
Em São Paulo
Liguei a televisão às 7h20 da manhã, a tempo de ouvir Alex Escobar anunciar, no "Bom Dia Brasil", da Globo, "a noite especial" que nos esperava, e desliguei por volta da meia-noite, depois de ouvir Paulo Soares, no “Sportscenter”, da ESPN Brasil, descrever detalhes da “noite espetacular” de futebol que assistimos.
Foram 16 horas e 40 minutos diante da tevê, zapeando daqui para lá e de lá para acolá. Passei por nove canais entre os da tevê aberta e da paga. Vi total ou parcialmente 17 programas esportivos. Assisti seis partidas de futebol – apenas duas, Barcelona x Inter de Milão e Universitário x São Paulo, do início ao fim. Acompanhei com atenção outras duas, Flamengo x Corinthians e Atlético-MG x Santos. Vi um pouco de Vitória x Vasco e, no meio da tarde, para relaxar, passei os olhos pelo VT de Valenciennes x Bordeaux.
O que se segue é uma tentativa de resumir os melhores momentos desta jornada esportiva insana. Não recomendo a ninguém que repita a experiência em casa, mas não posso negar que, apesar do cansaço, me diverti muito.
9h – Assunto principal da jornada, o duelo entre os obesos Ronaldo e Adriano começou a ser discutido no “SporTV News”. Empolgada com o gol marcado pelo atacante do Flamengo no rachão na véspera do jogo, a repórter Bruna Gosling conta: “O excesso de peso não sumiu, mas o espírito do Imperador parece mais leve”. Outro tema recorrente também já aparece no programa matinal: “Quem vai ganhar este jogo?”, pergunta a repórter Janaína Xavier. “A gente ainda não sabe”, ela própria faz o favor de responder.
10h – “Haja controle remoto!”, prevê Dudu Monsanto, no “Pontapé Inicial”, na ESPN Brasil, antes de anunciar, ao lado de José Trajano, as atrações do mais eclético programa esportivo da tevê brasileira: Paulo Cesar Pinheiro, Edu Lobo, Penélope Cruz., quiabo, etc. “Uma tremenda Superquarta”, diz, quase ao mesmo tempo, Telmo Zanini, no sóbrio “Redação SporTV”.
10h30 - Num programa intitulado “Beting & Beting”, mas com a presença apenas de um Beting (Mauro), além de um Borges (Luciano) e um Fortes (Frank), na BandSports, ouço pela primeira vez o estranho apelo: “O Galvão vai transmitir, mas fique com a gente”, pede o comandante da atração, antes de atender o próprio telefone no ar. É de Beting também a curiosa recomendação ao público: “Arrume uma virose e não vá ao trabalho hoje”.
11h – José Trajano prevê vitória do Barcelona no confronto vespertino, mas esclarece: “Quero que Julio Cesar, Lucio e Maicon (os brasileiros da Inter) joguem muito bem, se destaquem”.
11h30 – Ainda na ESPN Brasil, mas no “Sportscenter”, André Kfouri e Arnaldo Ribeiro duelam sobre a capacidade de usar superlativos. “Vai ser uma super-híper-quarta”, diz Arnaldo. “Super-híper-mega-quarta”, corrige André.
12h – Paloma Tocci, no “Rede TV Esporte”, apresenta a nova camisa da seleção da Austrália e lances velhos do Campeonato Italiano, que a emissora exibe – inclusive um gol de Totti, da Roma, “que não é meu parente”, ela esclarece. Espécie de “TV Fama” esportivo, o programa apresenta o jogo entre Flamengo e Corinthians centrado no “duelo das massas”, a saber, os 103 quilos de Adriano versus os 101 quilos de Ronaldo.
12h30 – No “Jogo Aberto”, na Band, Renata Fan “entrevista” Téo José, que vai narrar Barcelona x Inter. “Não dá um friozinho?”, pergunta a loira. “Sonhei esta noite com Mourinho e Messi”, responde o narrador. Renata também “entrevista” o médico Osmar de Oliveira: “E esse Messi?”, indaga ela (Como a pergunta foi muito melhor que a resposta, vou poupá-los do que veio depois).
12h40 – No “Bate-Bola”, na ESPN Brasil, João Carlos Albuquerque quase repete o “haja controle remoto” de Dudu Monsanto: “Haja fôlego!”, exclama. Já Paulo Vinicius Coelho prevê: “A virada não é impossível. Vai dar Barcelona”. Outra atração do jogo no Camp Nou, avisa PVC, será o duelo entre os irmãos Milito – Diego (Inter) e Gabriel (Barça). Como não poderia faltar, João Carlos, ao falar de Flamengo e Corinthians, não consegue evitar a metáfora dietética: “Adriano e Ronaldo, dois pesos pesados”.
12h45 – Tiago Leifert, no “Globo Esporte, na Globo, é o décimo a repetir, na primeira metade do dia: “A Superquarta-feira do esporte”. Mauro Naves transfere a responsabilidade para o Fenômeno: “O Corinthians nunca precisou tanto de Ronaldo quanto hoje, e ele nunca marcou no Maracanã”. Eric Faria manda um aviso a Adriano: “Os 70 mil torcedores serão 70 mil fiscais”.
12h55 – Vladir Lemos, no “Bate-Bola”, manda: “Quem fica na frente de três televisores não vê jogo nenhum”. Penso com os meus botões: quem, além de jornalistas esportivos, faz isso?
13h – Um momento de relax no programa “News”, na BandSports: gols e mais gols da Liga dos Campeões da Ásia. Muito interessante. Na sequência, algo ainda melhor: uma reportagem sobre um parque de elefantes na África do Sul.
13h10 – No “Globo Esporte, uma reportagem sobre o duelo entre Messi e Lucio. “Barcelona inteira quer entrar em campo e jogar com Messi. Mas a sorte dele depende de Lucio”, informa o repórter Pedro Bassan, ou “Maçã”, como diz Leifert. Minutos depois, no Twitter, o jornalista Mauro Cezar Pereira, da ESPN, critica: “Não acredito que num duelo de time italiano com time espanhol a Globo queira que um jogador da Inter leve a melhor contra um do Barça só por ser um confronto entre um argentino (Messi) e um brasileiro (Lúcio). Pior: não é Lúcio quem marca Messi, mas Thiago Motta."
14h – No “Arena SporTV”, direto do Maracanã, Milton Leite orienta o espectador: “Para você saber para onde tem que ir o seu controle remoto” na quarta-feira. Distraído, mudo para a BandSports, onde Carlos Fernando apresenta “Por Dentro da Bola” e provoca: “Adriano e Ronaldo estão escalados por conta do que fizeram no passado. Que técnico hoje colocaria quase 200 quilos em campo?”
14h30 – Em vez de “Superquarta”, Carlos Fernando anuncia uma “quarta-feira balofa de futebol”.
15h – No “Abre o Jogo”, na ESPN, PVC analisa a escalação de Barcelona e Inter e prevê: “Se Messi jogar pela direita ele vai escapar do assédio dos dois volantes”. Já o narrador Paulo Andrade agradece o espectador “que deu um golpe no trabalho para assistir o jogo”.
15h15 – Enquanto isso, na BandSports, Carlos Fernando grita: “Quem inventou essa polêmica é um babaca!” Refere-se à observação que Vanderlei Luxemburgo, quando técnico do Santos, deixou Neymar e Ganso no banco de reservas. “Vanderley é um formador de jogador. Ele soube segurar o cara para ir soltando aos poucos”, defende o apresentador.
A imagem está tremendo porque o Maracanã está tremendo”, explica o comentarista Junior, na Globo, depois do gol de Adriano. Dez minutos depois, Cleber Machado faz uma observação original: "E pingou água depois da bola bater no travessão". Referia-se a uma cabeçada de Adriano
15h30 – Se na Globo, o duelo seria entre Messi e Lúcio, na Band é entre Messi e Julio Cesar – “o melhor goleiro do mundo versus o melhor jogador do mundo”. Mauro Betting fala um clichê ainda não dito na jornada: “Se o Barça jogar como Barça...”
15h42 – Entra em cena o grande personagem de Barcelona e Inter – Galvão Bueno, convocado para narrar a partida pela Rede Globo. Embora seja dona dos direitos da Liga dos Campeões, a emissora ainda não havia transmitido nenhuma partida da competição.
15h54 – Nove minutos de jogo. Galvão está perdido. Não localiza os jogadores e erra seguidamente os nomes em campo. “Estava prevista a escalação do Daniel Alves... Vamos achar o Daniel”, suplica. Pedro Bassan, em Barcelona, esclarece que o brasileiro Maxwell não está jogando, ainda que, segundo Galvão, ele já tivesse participado de alguns lances.
15h56 – Depois de um choque entre Messi e Máicon, Galvão observa que o argentino “deu um golpe de judô no brasileiro”. O narrador da Globo chama a Internazionale de Milão como “o Internacional” e a resume como “um combinado Brasil-Argentina”, devido aos muitos jogadores dos dois países que atuam na equipe.
16h15 – Torcendo claramente pela Inter, Galvão manda outra bomba: “A imprensa espanhola tem se especializado em fazer escândalos e incitar o torcedor”.
17h – “A Inter continua fechadinha”, diz Paulo Andrade, na ESPN. “Encaixotadinha”, acrescenta PVC.
17h30 – “É muito triste ver um time deixar de jogar como a Inter”, diz Falcão, criticando a retranca da equipe italiana. “O combinado Brasil-Argentina está na final”, comemora Galvão. “Assista a seguir capítulo inédito de ‘Armação’”, anuncia o narrador, querendo dizer “Malhação”.
17h35 – “A Inter vai à final porque bloqueou o melhor time do mundo”, diz PVC. Mas se é o melhor time do mundo, como perdeu de 3 a 1 em Milão e se deixou bloquear em Barcelona?
17h45 – Para relaxar, assisto um pouco do VT de Valenciennes e Bordeaux, no SporTV. Será que estou ficando maluco?
18h – No programa “Gazeta Esportiva”, na TV Gazeta, Celso Cardoso apresenta “o duelo de titãs” entre Flamengo e Corinthians e convoca o repórter Alex Silvestre, “do Maracanã”, para falar do clima antes da partida: “Estamos quase chegando. O trânsito está muito ruim”, avisa Silvestre, por telefone. “Serão 204 quilos” em campo, diz o repórter, falando dos “titãs” Adriano e Ronaldo.
19h – “Torcida do Flamengo promete uma recepção hostil a Ronaldo”, avisa o programa “Tá na Área”, no SporTV, mas não mostra as imagens dos travestis contratados para “receber” o jogador no Maracanã.
19h30 – Começa Universitário x São Paulo, no estádio Monumental de Lima, no Peru. “Era bom o São Paulo fazer 1 a 0 logo no início do jogo”, roga Eduardo Vaz, narrador da BandSports. “Já jogou neste estádio?”, pergunta Vaz ao comentarista, o ex-goleiro Zetti. “Não me lembro”, ele responde.
19h50 – “Não está havendo futebol em Lima, mas o São Paulo está obtendo um bom resultado”, observa Andre Rizek, comentarista do SporTV, com grande sinceridade.
20h50 – Richarlyson é expulso, se revolta e tenta agredir o juiz. “Ele está enlouquecido”, observa o narrador Milton Leite. “A sorte do São Paulo é que a Conmebol (Confederação Sul-americana) é frouxa neste tipo de punição”, diz Rizek. Meia hora depois, no “Bate-Bola” da ESPN, Eduardo Elias diria: “O Richarlyson deu uma despirocada”.
21h35 – A quinze minutos do início de Flamengo x Corinthians, chove muito no Maracanã. O narrador Silvio Luiz, da BandSports, parece preocupado, mas não com o estado do gramado: “Rapaz, o que está entrando de água aqui na cabine!”.
21h50 – Contra o sóbrio Cleber Machado na Globo, Silvio Luiz dá show: “Vamos ver quantos deles sabem cantar o Hino Nacional... Ah! Não vai ter hino?”
21h56 – No gramado molhado do Maracanã, Cleber escorrega num velho clichê: “Dentinho deixa o pé desnecessariamente”.
22h05 – “Não para de chover”, observa Silvio Luiz. “Hoje a gente vai dormir na cabine. Qual é o táxi que vai buscar nós (sic) aqui?”
22h20 – Adriano ainda não fez nada na partida. “Com 180 quilos, o que você queria?”, pergunta Silvio.
22h26 – Enquanto isso, na Band, no SporTV e na ESPN, Atlético e Santos dão show no Mineirão. “Pode vir, você vai gostar. Tá um jogão”, diz Luciano do Valle ao espectador que passa pelo canal, insatisfeito com a pelada no Maracanã.
22h39 – “A gente teve a oportunidade de fazer um gol que vale por dois”, repete Ganso a todas as emissoras de tevê em entrevistas individuais, referindo-se ao primeiro gol do Santos, no final do primeiro tempo.
22h50 – Ronaldo e Adriano não deram nenhum chute a gol no primeiro tempo. Um deu cinco passes certos; o outro, quatro. Um tocou na bola menos de 30 segundos; o outro, cerca de 50 segundos. “Números tímidos”, diz o tímido Cleber Machado.
23h02 – “Seguramente, um dos grandes jogos do ano”, diz João Palomino, na ESPN. “Um dos melhores jogos da temporada no mundo”, empolga-se Mauricio Noriega, no SporTV. Ambos se referem a Atlético-MG x Santos.
23h20 – “A imagem está tremendo porque o Maracanã está tremendo”, explica o comentarista Junior, na Globo, depois do gol de Adriano. Dez minutos depois, Cleber Machado faz uma observação original: “E pingou água depois da bola bater no travessão”. Referia-se a uma cabeçada de Adriano.
23h35 – Ronaldo é substituído. “E sai sem a alegria de ter feito um gol no Maracanã”, lamenta Mauro Naves.
23h42 – O Flamengo vence o Corinthians por 1 a 0. O Atlético bate o Santos por 3 a 2. O Vitória ganha do Vasco por 2 a 0. Até a próxima super-híper-mega-bláster-quarta-feira de futebol.
Mauricio Stycer
Especial para o UOL
Em São Paulo
Liguei a televisão às 7h20 da manhã, a tempo de ouvir Alex Escobar anunciar, no "Bom Dia Brasil", da Globo, "a noite especial" que nos esperava, e desliguei por volta da meia-noite, depois de ouvir Paulo Soares, no “Sportscenter”, da ESPN Brasil, descrever detalhes da “noite espetacular” de futebol que assistimos.
Foram 16 horas e 40 minutos diante da tevê, zapeando daqui para lá e de lá para acolá. Passei por nove canais entre os da tevê aberta e da paga. Vi total ou parcialmente 17 programas esportivos. Assisti seis partidas de futebol – apenas duas, Barcelona x Inter de Milão e Universitário x São Paulo, do início ao fim. Acompanhei com atenção outras duas, Flamengo x Corinthians e Atlético-MG x Santos. Vi um pouco de Vitória x Vasco e, no meio da tarde, para relaxar, passei os olhos pelo VT de Valenciennes x Bordeaux.
O que se segue é uma tentativa de resumir os melhores momentos desta jornada esportiva insana. Não recomendo a ninguém que repita a experiência em casa, mas não posso negar que, apesar do cansaço, me diverti muito.
9h – Assunto principal da jornada, o duelo entre os obesos Ronaldo e Adriano começou a ser discutido no “SporTV News”. Empolgada com o gol marcado pelo atacante do Flamengo no rachão na véspera do jogo, a repórter Bruna Gosling conta: “O excesso de peso não sumiu, mas o espírito do Imperador parece mais leve”. Outro tema recorrente também já aparece no programa matinal: “Quem vai ganhar este jogo?”, pergunta a repórter Janaína Xavier. “A gente ainda não sabe”, ela própria faz o favor de responder.
10h – “Haja controle remoto!”, prevê Dudu Monsanto, no “Pontapé Inicial”, na ESPN Brasil, antes de anunciar, ao lado de José Trajano, as atrações do mais eclético programa esportivo da tevê brasileira: Paulo Cesar Pinheiro, Edu Lobo, Penélope Cruz., quiabo, etc. “Uma tremenda Superquarta”, diz, quase ao mesmo tempo, Telmo Zanini, no sóbrio “Redação SporTV”.
10h30 - Num programa intitulado “Beting & Beting”, mas com a presença apenas de um Beting (Mauro), além de um Borges (Luciano) e um Fortes (Frank), na BandSports, ouço pela primeira vez o estranho apelo: “O Galvão vai transmitir, mas fique com a gente”, pede o comandante da atração, antes de atender o próprio telefone no ar. É de Beting também a curiosa recomendação ao público: “Arrume uma virose e não vá ao trabalho hoje”.
11h – José Trajano prevê vitória do Barcelona no confronto vespertino, mas esclarece: “Quero que Julio Cesar, Lucio e Maicon (os brasileiros da Inter) joguem muito bem, se destaquem”.
11h30 – Ainda na ESPN Brasil, mas no “Sportscenter”, André Kfouri e Arnaldo Ribeiro duelam sobre a capacidade de usar superlativos. “Vai ser uma super-híper-quarta”, diz Arnaldo. “Super-híper-mega-quarta”, corrige André.
12h – Paloma Tocci, no “Rede TV Esporte”, apresenta a nova camisa da seleção da Austrália e lances velhos do Campeonato Italiano, que a emissora exibe – inclusive um gol de Totti, da Roma, “que não é meu parente”, ela esclarece. Espécie de “TV Fama” esportivo, o programa apresenta o jogo entre Flamengo e Corinthians centrado no “duelo das massas”, a saber, os 103 quilos de Adriano versus os 101 quilos de Ronaldo.
12h30 – No “Jogo Aberto”, na Band, Renata Fan “entrevista” Téo José, que vai narrar Barcelona x Inter. “Não dá um friozinho?”, pergunta a loira. “Sonhei esta noite com Mourinho e Messi”, responde o narrador. Renata também “entrevista” o médico Osmar de Oliveira: “E esse Messi?”, indaga ela (Como a pergunta foi muito melhor que a resposta, vou poupá-los do que veio depois).
12h40 – No “Bate-Bola”, na ESPN Brasil, João Carlos Albuquerque quase repete o “haja controle remoto” de Dudu Monsanto: “Haja fôlego!”, exclama. Já Paulo Vinicius Coelho prevê: “A virada não é impossível. Vai dar Barcelona”. Outra atração do jogo no Camp Nou, avisa PVC, será o duelo entre os irmãos Milito – Diego (Inter) e Gabriel (Barça). Como não poderia faltar, João Carlos, ao falar de Flamengo e Corinthians, não consegue evitar a metáfora dietética: “Adriano e Ronaldo, dois pesos pesados”.
12h45 – Tiago Leifert, no “Globo Esporte, na Globo, é o décimo a repetir, na primeira metade do dia: “A Superquarta-feira do esporte”. Mauro Naves transfere a responsabilidade para o Fenômeno: “O Corinthians nunca precisou tanto de Ronaldo quanto hoje, e ele nunca marcou no Maracanã”. Eric Faria manda um aviso a Adriano: “Os 70 mil torcedores serão 70 mil fiscais”.
12h55 – Vladir Lemos, no “Bate-Bola”, manda: “Quem fica na frente de três televisores não vê jogo nenhum”. Penso com os meus botões: quem, além de jornalistas esportivos, faz isso?
13h – Um momento de relax no programa “News”, na BandSports: gols e mais gols da Liga dos Campeões da Ásia. Muito interessante. Na sequência, algo ainda melhor: uma reportagem sobre um parque de elefantes na África do Sul.
13h10 – No “Globo Esporte, uma reportagem sobre o duelo entre Messi e Lucio. “Barcelona inteira quer entrar em campo e jogar com Messi. Mas a sorte dele depende de Lucio”, informa o repórter Pedro Bassan, ou “Maçã”, como diz Leifert. Minutos depois, no Twitter, o jornalista Mauro Cezar Pereira, da ESPN, critica: “Não acredito que num duelo de time italiano com time espanhol a Globo queira que um jogador da Inter leve a melhor contra um do Barça só por ser um confronto entre um argentino (Messi) e um brasileiro (Lúcio). Pior: não é Lúcio quem marca Messi, mas Thiago Motta."
14h – No “Arena SporTV”, direto do Maracanã, Milton Leite orienta o espectador: “Para você saber para onde tem que ir o seu controle remoto” na quarta-feira. Distraído, mudo para a BandSports, onde Carlos Fernando apresenta “Por Dentro da Bola” e provoca: “Adriano e Ronaldo estão escalados por conta do que fizeram no passado. Que técnico hoje colocaria quase 200 quilos em campo?”
14h30 – Em vez de “Superquarta”, Carlos Fernando anuncia uma “quarta-feira balofa de futebol”.
15h – No “Abre o Jogo”, na ESPN, PVC analisa a escalação de Barcelona e Inter e prevê: “Se Messi jogar pela direita ele vai escapar do assédio dos dois volantes”. Já o narrador Paulo Andrade agradece o espectador “que deu um golpe no trabalho para assistir o jogo”.
15h15 – Enquanto isso, na BandSports, Carlos Fernando grita: “Quem inventou essa polêmica é um babaca!” Refere-se à observação que Vanderlei Luxemburgo, quando técnico do Santos, deixou Neymar e Ganso no banco de reservas. “Vanderley é um formador de jogador. Ele soube segurar o cara para ir soltando aos poucos”, defende o apresentador.
A imagem está tremendo porque o Maracanã está tremendo”, explica o comentarista Junior, na Globo, depois do gol de Adriano. Dez minutos depois, Cleber Machado faz uma observação original: "E pingou água depois da bola bater no travessão". Referia-se a uma cabeçada de Adriano
15h30 – Se na Globo, o duelo seria entre Messi e Lúcio, na Band é entre Messi e Julio Cesar – “o melhor goleiro do mundo versus o melhor jogador do mundo”. Mauro Betting fala um clichê ainda não dito na jornada: “Se o Barça jogar como Barça...”
15h42 – Entra em cena o grande personagem de Barcelona e Inter – Galvão Bueno, convocado para narrar a partida pela Rede Globo. Embora seja dona dos direitos da Liga dos Campeões, a emissora ainda não havia transmitido nenhuma partida da competição.
15h54 – Nove minutos de jogo. Galvão está perdido. Não localiza os jogadores e erra seguidamente os nomes em campo. “Estava prevista a escalação do Daniel Alves... Vamos achar o Daniel”, suplica. Pedro Bassan, em Barcelona, esclarece que o brasileiro Maxwell não está jogando, ainda que, segundo Galvão, ele já tivesse participado de alguns lances.
15h56 – Depois de um choque entre Messi e Máicon, Galvão observa que o argentino “deu um golpe de judô no brasileiro”. O narrador da Globo chama a Internazionale de Milão como “o Internacional” e a resume como “um combinado Brasil-Argentina”, devido aos muitos jogadores dos dois países que atuam na equipe.
16h15 – Torcendo claramente pela Inter, Galvão manda outra bomba: “A imprensa espanhola tem se especializado em fazer escândalos e incitar o torcedor”.
17h – “A Inter continua fechadinha”, diz Paulo Andrade, na ESPN. “Encaixotadinha”, acrescenta PVC.
17h30 – “É muito triste ver um time deixar de jogar como a Inter”, diz Falcão, criticando a retranca da equipe italiana. “O combinado Brasil-Argentina está na final”, comemora Galvão. “Assista a seguir capítulo inédito de ‘Armação’”, anuncia o narrador, querendo dizer “Malhação”.
17h35 – “A Inter vai à final porque bloqueou o melhor time do mundo”, diz PVC. Mas se é o melhor time do mundo, como perdeu de 3 a 1 em Milão e se deixou bloquear em Barcelona?
17h45 – Para relaxar, assisto um pouco do VT de Valenciennes e Bordeaux, no SporTV. Será que estou ficando maluco?
18h – No programa “Gazeta Esportiva”, na TV Gazeta, Celso Cardoso apresenta “o duelo de titãs” entre Flamengo e Corinthians e convoca o repórter Alex Silvestre, “do Maracanã”, para falar do clima antes da partida: “Estamos quase chegando. O trânsito está muito ruim”, avisa Silvestre, por telefone. “Serão 204 quilos” em campo, diz o repórter, falando dos “titãs” Adriano e Ronaldo.
19h – “Torcida do Flamengo promete uma recepção hostil a Ronaldo”, avisa o programa “Tá na Área”, no SporTV, mas não mostra as imagens dos travestis contratados para “receber” o jogador no Maracanã.
19h30 – Começa Universitário x São Paulo, no estádio Monumental de Lima, no Peru. “Era bom o São Paulo fazer 1 a 0 logo no início do jogo”, roga Eduardo Vaz, narrador da BandSports. “Já jogou neste estádio?”, pergunta Vaz ao comentarista, o ex-goleiro Zetti. “Não me lembro”, ele responde.
19h50 – “Não está havendo futebol em Lima, mas o São Paulo está obtendo um bom resultado”, observa Andre Rizek, comentarista do SporTV, com grande sinceridade.
20h50 – Richarlyson é expulso, se revolta e tenta agredir o juiz. “Ele está enlouquecido”, observa o narrador Milton Leite. “A sorte do São Paulo é que a Conmebol (Confederação Sul-americana) é frouxa neste tipo de punição”, diz Rizek. Meia hora depois, no “Bate-Bola” da ESPN, Eduardo Elias diria: “O Richarlyson deu uma despirocada”.
21h35 – A quinze minutos do início de Flamengo x Corinthians, chove muito no Maracanã. O narrador Silvio Luiz, da BandSports, parece preocupado, mas não com o estado do gramado: “Rapaz, o que está entrando de água aqui na cabine!”.
21h50 – Contra o sóbrio Cleber Machado na Globo, Silvio Luiz dá show: “Vamos ver quantos deles sabem cantar o Hino Nacional... Ah! Não vai ter hino?”
21h56 – No gramado molhado do Maracanã, Cleber escorrega num velho clichê: “Dentinho deixa o pé desnecessariamente”.
22h05 – “Não para de chover”, observa Silvio Luiz. “Hoje a gente vai dormir na cabine. Qual é o táxi que vai buscar nós (sic) aqui?”
22h20 – Adriano ainda não fez nada na partida. “Com 180 quilos, o que você queria?”, pergunta Silvio.
22h26 – Enquanto isso, na Band, no SporTV e na ESPN, Atlético e Santos dão show no Mineirão. “Pode vir, você vai gostar. Tá um jogão”, diz Luciano do Valle ao espectador que passa pelo canal, insatisfeito com a pelada no Maracanã.
22h39 – “A gente teve a oportunidade de fazer um gol que vale por dois”, repete Ganso a todas as emissoras de tevê em entrevistas individuais, referindo-se ao primeiro gol do Santos, no final do primeiro tempo.
22h50 – Ronaldo e Adriano não deram nenhum chute a gol no primeiro tempo. Um deu cinco passes certos; o outro, quatro. Um tocou na bola menos de 30 segundos; o outro, cerca de 50 segundos. “Números tímidos”, diz o tímido Cleber Machado.
23h02 – “Seguramente, um dos grandes jogos do ano”, diz João Palomino, na ESPN. “Um dos melhores jogos da temporada no mundo”, empolga-se Mauricio Noriega, no SporTV. Ambos se referem a Atlético-MG x Santos.
23h20 – “A imagem está tremendo porque o Maracanã está tremendo”, explica o comentarista Junior, na Globo, depois do gol de Adriano. Dez minutos depois, Cleber Machado faz uma observação original: “E pingou água depois da bola bater no travessão”. Referia-se a uma cabeçada de Adriano.
23h35 – Ronaldo é substituído. “E sai sem a alegria de ter feito um gol no Maracanã”, lamenta Mauro Naves.
23h42 – O Flamengo vence o Corinthians por 1 a 0. O Atlético bate o Santos por 3 a 2. O Vitória ganha do Vasco por 2 a 0. Até a próxima super-híper-mega-bláster-quarta-feira de futebol.
domingo, 25 de abril de 2010
Parem de encher o saco do Neymar!

Toda entrevista é a mesma coisa: repórteres perguntando a Neymar sobre a seleção.
Querem que ele afirme categoricamente que deve ser convocado. Ainda bem que, apesar de novo, Neymar é esperto. Porque tem muito jornalista - quase a maioria absoluta - que só quer impressionar o patrão. Então entra na avalanche de mesmice que povoa a mídia. Mas fazer o que, a vida é feita de selvageria e desilusão.
Se o craque falasse o que os jornalistas querem, venderia muito papel de embrulhar peixe - olha só a ironia - mas ele estaria ferrado. Neymar prefere ser diplomático e pragmático. A cada duzentas perguntas sobre a seleção, ele responde quase a mesma coisa. " Se sobrar duas vaguinhas, uma pra mim e outra pro Ganso, beleza!". E aí os ditos jornalistas esportivos repetem as entrevistas e as cenas à exaustão.
O atacante do Santos não dá bola pra polêmica. Sabe que vai chegar lá e espera com paciência e, claro, muito bom humor.
Mesmo assim, vejamos como seria se Neymar escorregasse no verbo.
Repórter:
_ Neymar, você e o Ganso não merecem ser convocados pelo Dunga?
Possíveis respostas para evitar polêmicas e dor-de-cotovelo :
_ Não, acho que não. Prefiro assistir à Copa pela televisão.
_ Não. A gente não tá jogando nada. Melhor mudar de profissão.
_ Não. É melhor jogar pelada no fim de semana na praia.
_ Não. Com certeza, Dunga terá certeza só depois do Mundial. Com certeza.
_ Não. Minha namorada acha que não.
_ Não, que isso! Melhor perguntar para o Dunga. Você já perguntou?
_ Pergunta pra minha mãe.
_ Pergunta pra torcida do Santos.
_ Pergunta pro pessoal do Mato Grosso.
_ Pergunta pra sua avó.
_ Não dá pra você mudar o repertório de perguntas?
_ Não, quem merece ir pra Copa é você.
_ Não. Depois dessa pergunta, só me resta dar um tiro na cabeça.
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