quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Ecos do passado

Na segunda-feira, o Tabelinha, programa online apresentado pelos jornalistas Juca Kfouri e Victor Birner, trouxe à tona uma questão profissional importante: o jornalista pode participar de campanhas ou deve agir apenas como observador? A discussão ficou mais profunda após vários movimentos contra a permanência de Ricardo Teixeira na presidência da CBF ganharem apoio de diferentes setores da sociedade. Evidentemente, o agravamento das acusações, que colocam em risco o futebol brasileiro e até a autonomia dos profissionais sérios, contribuiu para o debate se tornar mais encorpado.

Juca Kfouri cita como exemplo de um engajamento necessário e útil, o documento divulgado pelo Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo em 1976. O abaixo-assinado questionava pontos do relatório do Inquérito Policial-Militar elaborado após a morte do jornalista Vladimir Herzog, ocorrida em 25/10/1975 nas dependências do DOI-Codi em São Paulo. Um dos questionamentos era: como o Herzog poderia ter se enforcado na grade da cela com um cinto de macacão, se era proibida a entrada de qualquer objeto no xadrez que pudesso oferecer risco à vida do preso? O texto é longo e pode ser lido no blog do Juca.

Há momentos que a história exige dos profissionais com informações suficientes para contextualizar determinados fatos,  tomar posição. Foi o que aconteceu em Limeira, quando o Jornal de Limeira apoiou o projeto de moralização da política encabeça pela OAB, o Ficha Limpa Popular.

No esporte, este tipo de posição é salutar. Os jornalistas devem cobrar, inclusive, a publicação de auditorias periódicas nas contas dos clubes da cidade. Para evitar aberrações como traz matéria Estadão publicada ontem: o governo repassou R$ 6,2 milhões para cartolas, que não aplicaram em nada. Muito menos no falacioso projeto de cadastramento das torcidas.





quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Palpites para a rodada do Campeonato Brasileiro

Palpites baseados em profundas análises táticas, técnicas, estatísticas e minimalistas.


18h - Corinthians 1 x 1 Grêmio
20h30 - Atlético-GO 2 x 2 Coritiba
20h30 - Cruzeiro 2 x 0 Figueirense
21h30 - Inter 1 x 2 Santos
18h - Vasco 3 x 2 Ceará
21h30 - Botafogo 2 x 1 Palmeiras
20h30 - Atlético-PR 2 x 1 Atlético-MG
21h50 - São Paulo 3 x 1 Fluminense

Boas notícias

O Independente de Limeira se classificou para a terceira fase do Campeonato Paulista da Segunda Divisão. Reagiu bem após seguidos empates. Uma goleada de 5 a 0 - aplicada em cima do Guarujá -, o credencia como principal candidato ao título da Segundona.

Aos poucos, bem devagar, PH Ganso vai recuperando seu futebol. O golaço marcado contra o São Paulo foi a prova definitiva de que o meia está em ascensão.

A Internacional de Limeira venceu bem a Itapirense, de virada, lá em Itapira, e ganhou sobrevida. Méritos para o treinador Lelo. Tranquilo, deu apoio ao elenco e prova que é cerebral e ético.

O Brasil falhou bastante na defesa no Pré-Olímpico de Basquete Masculino, mas venceu a Venezuela num exemplo de superação digno de elogios. Hoje, pega o Canadá, às 20h30, e tem tudo para fazer uma partida bem melhor.

Fabiana Murer, que sofreu a decepção de perder a vara em Pequim, desta vez teve não apenas a sorte de ninguém mexer no seu equipamento, como também a competência e a perseverança de vencer as etapas necessárias para se conquistar o ouro no Mundial de Atletismo. Além do salto com vara, Fabian Murer também pratica o salto para o futuro.

Por fim, congratulações à Winner/Limeira, que novamente montou um esquadrão e é equipe favorita ao título paulista de basquete masculino.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Futebol é uma caixinha de pandora

Se não tomar cuidado, o Independente de Limeira pode botar a brilhante campanha a perder. Tudo isso porque acumula empates em profusão.

Falta pouco para os comandados de Parraga selarem a classificação. Mas o time precisa vencer. Para consolidar um bom trabalho, para afastar desconfianças e para animar a torcida galista.

Tomara que a festa da classificação seja realizada no Pradão. Aí, sim.

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O Santos emplacou mais uma vitória, desta vez contra o Fluminense. É o segundo time tricolor que o Peixe detona. Prenúncio de resultado positivo no SanSão.

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Parece que o técnico Adilson Batista está conseguindo aprumar o São Paulo. Ontem, contra o Ceará, o time só se encontrou no segundo tempo, mas mostrou evolução.

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No domingo, Corinthians e Palmeiras fazem um clássico tira-teima. Vão tentar descobrir quem dá mais sopa pro azar.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Após empate, Galo projeta 'volta para casa' na sexta

Clube planeja promoções no retorno ao Pradão contra o Sumaré




O Independente de Limeira está prestes a ocupar a sua casa. Segundo o presidente do clube, José Marcelo de Assis, a diretoria projeta a reinauguração do Estádio Comendador Agostinho Prada, o Pradão, para sexta-feira. "Esperamos que a FPF (Federação Paulisa de Futebol) libere o Pradão nesta semana", disse. Se isso ocorrer, Assis espera um Pradão lotado contra o Sumaré - time com o qual o Galo empatou no sábado, por 1 a 1. "Será uma grande festa. Estamos planejando atrações. Uma delas deve ser uma homenagem ao goleiro Diego", afirmou.



A 'volta para casa' pode ocorrer após um longo período de reformas. Foram mais de quatro meses de obras, que deveriam ter sido entregues na segunda rodada do Campeonato Paulista da Segunda Divisão. A lentidão provocou críticas à prefeitura, inclusive do presidente do Galo. Assis, porém, mudou de postura a ponto de convidar o prefeito Silvio Félix (PDT) para dar o pontapé inicial, se a partida contra o Sumaré for confirmada no Pradão, às 20h. A princípio, o jogo deverá ser realizado no Limeirão.



O estádio do Galo, no entanto, deverá ser liberado apenas parcialmente. Por enquanto, estariam à disposição da torcida 3.067 lugares. A estrutura metálica será avaliada nos próximos dias e, se tudo correr bem, o Pradão poderá ganhar o reforço de mais dois mil lugares. A capacidade total do estádio é de 10.500 torcedores.



EMPATE



Com o empate em Sumaré, o invicto Independente continua na liderança do Grupo 9, agora com cinco pontos. Já o Sumaré é o terceiro, com três. Gustavo foi expulso e não participará do próximo compromisso.



sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Bola de cristal furada

Errei quase todos os palpites, mas acertei a previsão sobre a partida entre Flamengo e Atlético Paranaense. Evidentemente, o jogo não exigia perspicácia extraordinária. Mas, pelo menos, não sofri uma derrota acachapante como a Seleção Brasileira.

Constatação: o Santos joga bonito, mas contra o Corinthians pragmático, burocrático e esquemático, é impossível fazer uma exibição de gala. Ainda mais com desfalques.

O Campeonato Brasileiro tem jogadores de alto nível, mas os técnicos são todos formalistas.

A Sul-Americana está ficando interessante. Ontem, o Palmeiras poderia ter sido goleado pelo Vasco.

O Ceará engoliu o São Paulo, que deu sopa pro azar. E a culpa não é de Adilson Batista.

  

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Palpites

Depois de ter ouvido uma overdose de comentários, cheguei à conclusão mais óbvia do mundo: todo mundo sabe tudo de futebol e ninguém sabe nada. Não se trata de uma paródia do Auto da Barca do Inferno, de nosso querido Gil Vicente.

Trata-se, porém, de um verdadeiro balaio de gatos do inferno. Dos programas de televisão globais à Seleção Brasileira.

O pessoal do Arena SporTV foi condescendente com Mano Menezes. Aprovou a troca de Ganso por Fernandinho (?!) e comprou a explicação esdrúxula do técnico - Mano está preocupado com os laterais alemães e quer aproximar um meia do trio de ataque.

Neymar, pós-febre, joga por causa de exigência em contrato da CBF com empresa de marketing.

A equipe dos canais ESPN, alijadas das transmissões, é muito mais crítica e precisa. Principalmente Mauro Cézar Pereira. PVC, que citou a Inter de Limeira como exemplo de times do interior que tiveram ajuda de verba pública, analisa as equipes com muito mais contundência do que qualquer outro comentarista da TV brasileira.

Para a galera da ESPN Brasil, o Corinthians não é favorito na Vila Belmiro. Com o que eu também concordo. Não apenas como torcedor, mas como um cidadão capaz de interpretar o momento de ambas as equipes: o Corinthians não vem apresentando um grande futebol. E o Santos armou uma retranca fenomenal. No contra-ataque, sou mais Borges do que Sheik. Então, dá Santos 2 a 1.

Já o São Paulo vence o Ceará com tranquilidade e goleando por 1 a 0, que é bem a cara de Adilson Batista.

E o Flamengo? Ah, o Flamengo é time em estado de graça. Vai continuar vencendo por um bom tempo. No Brasileiro e na Sul-Americana.

A pergunta que não quer calar: se é pra deixar Ganso no banco, se o jogo não vale nada, por que raios Mano desfalcou o Santos?

Mesmo com essa aberração, dá Brasil. Será 1 a 0 com gol de Neymar. Goleada com cara de Mano Menezes.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Galo enfrenta o Primeira Camisa

Parraga afirmou que está 'cheio' de dúvidas para o jogo de hoje


O técnico Parraga está quebrando a cabeça para montar a equipe que começará a partida de hoje contra o Primeira Camisa, às 20h, no Limeirão. Além de três jogadores terem recebido o terceiro cartão amarelo, há outros cujo rendimento não deixou o treinador galista satisfeito. "Ainda não defini o time que vai iniciar a partida. São vários problemas que preciso resolver amanhã (hoje), depois do treino", disse.
 Já estão fora da partida Thiago Blumer, Tiago Pereira e Mateus. O trio cumpre suspensão automática e desfalca o Independente contra o Primeira Camisa, de São José dos Campos.
Apesar das dificuldades de escalação, o ambiente no Pradão é o mais tranquilo possível. Afinal, o Independente largou na frente na disputa da segunda fase da Segunda Divisão do Campeonato Paulista. Com uma vitória sobre o Guarujá, no sábado, fora de casa, pelo placar de 2 a 1, a equipe limeirense lidera o Grupo 9 da competição, com três pontos, já que Primeira Camisa e Sumaré, outros componentes da chave, ficaram no empate. Parraga comentou sobre o primeiro triunfo nesta fase. "Foi um jogo difícil, mas o time se postou bem. Tomamos uma pressão nos 20 minutos finais. Foi complicado segurar, mas estamos de parabéns. Mesmo com todas as dificuldades, como o elenco reduzido, nosso trabalho está sendo excepcional", elogiou.
O presidente do Independente, José Marcelo de Assis, tem usado justamente o argumento da campanha impecável para atrair os torcedores ao Limeirão. "A presença da massa galista é importante. Precisamos do apoio e também da renda. Toda a logística da partida depende de dinheiro", disse o dirigente. Segundo Assis, o Pradão deverá ser liberado somente depois do próximo fim de semana. Na sexta-feira, o Corpo de Bombeiros realizará vistoria no estádio. Depois, a FPF (Federação Paulista de Futebol) enviará técnicos a Limeira para expedir o laudo de segurança. Por último, haverá o laudo da Polícia Militar. O ingresso para o jogo do Galo custa R$ 10, mas mulheres só pagam R$ 5. Crianças até 12 anos não pagam.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Muller torrou toda a grana com mulher, cachaça e carro

Do UOL Esporte

Muller diz que já teve mais de 20 carros ao longo da carreira; hoje, não tem nenhum

Muller ganhou muita coisa no futebol. Bicampeão mundial pelo São Paulo, em 92 e 93, e campeão pela seleção brasileira em 94, o ex-jogador perdeu tudo e agora vive um dramático momento financeiro. Morando na casa de Pavão, colega de seus tempos de São Paulo, o ex-atacante admite que gastou tudo o que ganhou com mulheres e luxos desnecessários.
“Gastei com mulheres, com carros e etc. gastei com vaidades pessoais. Gastei dinheiro com amigos, entre aspas. Amigos de ocasião. Por eu ser uma pessoa generosa, muita gente se aproveitou mesmo de mim”, disse em entrevista ao jornal Marca Brasil.
O ex-atleta disse que perdeu milhões e hoje em dia não tem sequer um carro (admitiu já ter tido mais de 20) ou um plano de saúde. Também não possui nenhum imóvel ou bem material. Muller afirmou não ser capaz de calcular exatamente quanto dinheiro ganhou com o futebol, mas sabe que foi muito. “Foi muito. Nem sei calcular quanto perdi. Não sei se deveria dizer, mas perdi milhões. Perdi tudo que consegui no futebol. Joguei fora o que construí ao longo de 20 anos”, contou.
Muller acredita que a simples falta de orientação não pode ser desculpa para sua situação atual. Nem mesmo os “puxões de orelha” de Telê Santana deram resultado. “Ele era um paizão. Mas eu tomei as decisões erradas. Fiz as piores escolhas. Foi isso”, afirmou.
O período de dificuldade que Muller enfrenta começou em 2009, quando ele deixou o cargo de comentarista na Sportv. Agora, o ex-jogador disse que fechou com uma grande rádio para comentar o Brasileiro e que está feliz por poder recomeçar do zero. “Estou cheio de saúde e pronto para recomeçar. Tenho vigor para recomeçar do nada”, concluiu.

Observação do editor do blog: tá na merda, mas torrou dinheiro da maneira mais legal que existe. Agora é só ganhar de novo. O que não é difícil quando se tem ambição.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Crônica de uma escola muito louca

Vivemos uma época de engessamento da capacidade crítica dos professores.

Meu sobrinho estuda na terceira série. É um garoto muito inteligente. Ontem teve reunião de pais e mestres na escola onde ele estuda. A mãe não pôde ir, fui incumbido desta responsabilidade. Apesar de ser apenas um tio, levo a educação de meu sobrinho muito a sério. Sei como é difícil, principalmente quando se tem pouco dinheiro, manter-se firme na caminhada rumo ao curso superior. É preciso preparar o espírito desde a infância. Senão, inevitavelmente, o estudante que aspira ao diploma de faculdade vai pastar. Vai pastar muito.

Ao longo de minha jornada para ser educado conforme mandam os protocolos sociais, estudei em escolas medíocres. Tive muito professores abaixo da crítica. Obviamente, tive professores que honraram o guarda-pó. Mas a maioria era um desastre. Eu paguei o preço. Surgiram lacunas na minha educação. Quando chegou o momento de prestar vestibular, sem dinheiro para pagar cursinho, tive que estudar por conta própria. Eu já estava havia dois anos fora da escola. Trabalhava como prensista numa firma de retentores. Meu conhecimento estava em flagrante desequilíbrio.

Não vou ficar me alongando nessa história porque todo mundo tem seus dramas. Pau na máquina. Para chegar à faculdade foi um problema, manter-me nela foi outro. Mas eu adorava. Mesmo vivendo quatro anos numa pendura danada. O bom da coisa é que eu tinha uma pancada de amigo que torcia por mim. E, nos fins de semana, pagavam umas geladas com satisfação.

Fazer jornalismo foi uma coisa boa. Não pelo lado financeiro. Pelo lado humano. Quanto mais eu percebia o descalabro social neste país, mais eu sentia o sangue ferver. Aos poucos meu sangue virou suco. Mas isso é outro assunto.

O fato é que o jornalismo me abriu os olhos para questões muito sutis nos bastidores da organização social. De fato, atuar no jornalismo é uma opção ideológica. Ou você está do lado dos opressores, ou dos oprimidos. Simples assim.

Depois de tergiversar tanto, chego ao ponto principal da narrativa. Fui tomado de grande satisfação por participar da reunião. Me senti orgulhoso. Nada mais justo. Como sou, sem falsa modéstia, o maior responsável por meu sobrinho saber ler, escrever, navegar na internet, torcer para o Santos e gostar de rock, imaginei que minha presença fosse importante. Acho imprescindível que todos aqueles que participam do cotidiano de uma criança procurem estimulá-la a ampliar seus horizontes e se interessem pelo que ela aprende na escola. E eu me esforço nesse sentido.

Mas uma professora disse, quando eu já estava acomodado numa carteira, que só poderiam participar da reunião pais ou avós do estudante. Eu estava excluído. Só fiz uma observação, para não criar caso: “professora, perdoe minha ousadia, mas acho isso uma incoerência”. Ela respondeu, não sem certo constrangimento: “são ordens, não posso fazer nada”.

Sem dúvida professora. Ordens são ordens, mesmo que sejam absurdas.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Palpiteiro

A nova polêmica envolvendo Neymar é o principal assunto do dia e várias pessoas ligadas ao futebol comentam a discussão do jogador com o treinador Dorival Júnior na partida do Santos contra o Atlético/GO. O meia Carlos Alberto, que trabalhou com o técnico durante toda a temporada passada no Vasco, falou sobre o fato e disse que confia no comandante para educar a ainda promessa do futebol brasileiro.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Em festa de aniversário também se faz autocrítica

Peço licença para publicar mais uma artigo que não está relacionado diretamente com esportes. Nos próximos dias voltaremos à programação normal. 

Cristiano Kock Vitta
Jornalista
Especial para o Jornal de Limeira
cristianokock@uol.com.br

A praga do autoelogio gerencial está solta. Tiraram-na das catacumbas da tecnocracia, que nem é tão especializada assim quando está relacionada à administração pública. A época é propícia para jactâncias políticas. Em Limeira, mais ainda. Aos “presentes populares” (consultas médicas, dentaduras, camisetas, sapatos, boca-livre), direcionados por fins eleitoreiros, soma-se a diversão das festividades de aniversário. Prato cheio para discursos de cooptação. Mas o clima também favorece a autocrítica. Quer situação mais ideal para lavar a roupa suja do que uma festa em família? Embora passível de constrangimento, o esforço para botar tudo em pratos limpos pode ter efeitos muito profiláticos. Mesmo que se restrinja a questões de foro íntimo.
As ponderações são sempre necessárias. Do contrário, estaremos limitando o alcance das idéias verdadeiramente originais. Sem reflexão, tem primazia o juízo puramente bajulatório. A originalidade está ligada à independência, que é o caminho lícito para se viver com dignidade.
Para se viver com dignidade, temos que exercer nosso direito de dar pitaco em tudo. Principalmente nas administrações públicas. Se um governo é refratário a ponderações, ele é burro. Priva-se do benefício da autocrítica. Desprezando a possibilidade de analisar criticamente seus atos, descamba para o autoelogio. O autoelogio é uma forma de proteção. Tem suas raízes no medo da verdade. Todo governante que acredita ser infalível tende a intimidar seus críticos. Às vezes, eles nem são adversários. Apenas chamam a atenção para possíveis falhas. Um governo sem autocrítica está fadado a ter apenas bajuladores à sua volta. E aí, infelizmente, é meio caminho andado para se tornar despótico.  
Se não nos sentirmos suficientemente alicerçados para exercer a plenitude da opinião, então a liberdade virou privilégio de apenas alguns grupos. O que é enganoso, porque liberdade não se estabelece a partir do pensamento de grupos ou de confrarias. Como escreveu Cecília Meireles no Romanceiro da Inconfidência: "Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta, que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda".
Portanto, temos que preservar a liberdade de ser inconvenientes quando necessário for. Se o rótulo for inevitável, não nos acabrunhemos. A vida é muito maior do que o julgamento que fazem de nós. 
Quando tudo parece encaixado é que precisamos aparar arestas. Relações entre governo e governados não são uma ciência exata. Nos bastidores do poder coadunam interesses de várias categorias. A complexidade destas relações exige permanente estado de vigília. Principalmente da imprensa.
É inegável que o governo Félix fez grandes conquistas. Mas nesta festa de aniversário, quando o prefeito estiver mais relaxado, ele deve fazer um exame de consciência. E conclamar seus súditos para, juntos, exercer seu direito inalienável à autocrítica. Deixar de lado os panegíricos que costumam rodear-lhe os passos e atentar, ao menos por alguns momentos, o que o incomoda no seu íntimo. Este é o primeiro passo para admitir, humildemente, que não existe infalibilidade.  
E que a população, mesmo num clima tão festivo e agradável, junte-se aos gerentes da cidade para fazer uma reflexão profunda sobre a atual conjuntura. Não estamos no paraíso. Há muito por fazer, principalmente na periferia de Limeira. Para nos impregnarmos deste amor profícuo uns pelos outros, exerçamos a autocrítica. Comamos o pão e brinquemos no circo, mas não nos esqueçamos da autocrítica. Para que nos sejam abertas sempre perspectivas positivas.
Assim agiu Santo Agostinho quando se converteu e se tornou referência atemporal de equilíbrio e virtude. Aproveito, inclusive, para sugerir aos leitores a aquisição de “Confissões”, presente na coleção que a Folha de S. Paulo lança a partir do próximo domingo.  Disse Santo Agostinho:
“Quero recordar as minhas torpezas passadas e as depravações carnais da minha alma, não porque as ame, mas para vos amar, ó Deus. É por amor do Vosso amor que, amargamente, chamo à memória os caminhos viciosos para que me dulcifiqueis, ó Doçura que não engana, doçura feliz e firme. Concentro-me, livre da dispersão em que me dissipei e me reduzi ao nada, afastando-me de Vossa unidade para inúmeras bagatelas”.
E que, neste aniversário de Limeira, possamos ter amor próprio suficiente para nos deleitarmos com os bens que são oferecidos e para rechaçarmos aquilo que impede o compartilhamento e a justiça social.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Guaraná com açaí

Um polígrafo
Cristiano Kock Vitta
Jornalista


Coluna publicada no Jornal de Limeira de hoje

Muito apropriado. Li a coluna da Nina Horta, na Folha de S. Paulo, enquanto almoçava. Sempre leio. É muito agradável. Ultimamente venho pegando gosto por fazer coisas agradáveis. Não sei por que motivo. Minha visão crítica deve ter regredido. Provavelmente, obra da alienação sistemática a que venho me submetendo voluntariamente. Bom, vamos ao que interessa. Terminei de ler o artigo e me senti intelectualmente refestelado. Nina havia preparado uma deliciosa crônica sobre a Coca-Cola.

Também já fui viciado nesta bebida. Por força das circunstâncias, porém, tive que abandonar o hábito. Até ontem (quinta-feira, 9 de novembro de 2010). Hoje, se não mudaram o calendário, é sexta-feira. Sexta-feira, 10 de novembro de 2010. Graças a Deus, a Buda e a Shiva. Ontem, foi quinta. Então, certamente, estou lúcido. Foi ontem mesmo que voltei a tomar refrigerante. Sete meses depois de uma dieta rígida. Não por influência de Nina. Mas por curiosidade. A curiosidade matou o gato, diz o ditado. No meu caso, atiçou o paladar.

Não tomei Coca-Cola, muito menos fui à escola. Sorvi, entretanto, goles modestos do novo guaraná Antarctica, que tem açaí na fórmula. Ou, pelo menos, o gosto do açaí. Que surpresa agradável! Antes de beber, cheirei o produto. Ótimo aroma. Lembrava vagamente jurubeba. Não a Solanum paniculatum L., propriamente dita. Falo da bebida, que eu apreciava nos bons tempos que era botequeiro. Eita, Leão do Norte! Jurubeba é tão boa que até o ex-ministro da Cultura, Gilberto Gil, fez uma música em sua homenagem.

Mas o lance aqui é guaraná. Guaraná com açaí. Uma delícia. Valeu a pena transgredir um pouquinho as recomendações médicas. Já se passaram seis meses de convalescença. Eu merecia um prazer politicamente incorreto após tanto tempo sob uma disciplina férrea. Dá vontade de beber de novo. Mas não precisei de muito esforço para me contentar com um copo. Hoje sou um homem mais consciente e feliz. Fruto, possivelmente, do egoísmo. Como dizia Raul, eu sou egoísta.

E o egoísmo nos leva a criar situações boas para nós. Driblei a disciplina, deixei o hedonismo me arrebatar, olvidei as dores do mundo, ignorei o horário político, viajei na maionese só por causa de uma dose de guaraná com açaí. Meu Deus! A que ponto a gente chega. Mas com a idade aprendemos a administrar a culpa. Nina gosta de coca. Eu gosto de guaraná. Principalmente por causa do cheiro. No copo, dá pra sentir bem o aroma de jurubeba. Ouça a música do Gil bebendo guaraná com açaí. Você vai entender tudo.

O que seria de nós se não nos permitíssemos pequenos prazeres inadequados? Talvez a vida se tornasse mais amarga que uma dose de jurubeba.


terça-feira, 7 de setembro de 2010

O Brasil perdeu, mas é uma derrota que ensina os boleiros

Quando a Seleção Brasileira de Futebol perdeu para a Holanda e acabou eliminada da Copa do Mundo, lamentou-se a confusão ente raça e violência. O símbolo do destempero foi Felipe Melo.

Hoje a Seleção Brasileira de Basquete perdeu para a Argentina num jogo espetacular. Jogou com raça impressionante o tempo todo. Não apelou em nenhum momento. O destaque foi Marcelinho Huertas, um monstro na armação, na infiltração, na bola de três pontos.

Sem contar que o favorito aqui era a Argentina. Um timaço. Com um cara, chamado Scola, que ensina muita gente como se joga basquete.

A Argentina não é bolinho, amigo.

A geração que enverga a camisa verde-amarela neste momento, porém, é digna de todos os aplausos. Jogou muito, mas muito mesmo.

Huertas é o símbolo desta geração. Cabeça feita e coração alado. É assim que se joga. Mesmo na derrota, os torcedores reconhecem o esforço.

O Brasil ainda vai evoluir muito. E nos dará grandes alegrias no basquete.

Ingresso de graça e quase de graça pra ver a Inter de Limeira!

Promoção de ingressos para quarta-feira
Do site da Internacional de Limeira
e do Jornal de Limeira

Atenção torcedor leonino! A diretoria da Inter está fazendo mais uma promoção para jogo do Leão. O torcedor pagará R$ 2 pelo bilhete até quarta-feira às 18h. Na hora da partida, o ingresso custará R$ 10.

Os ingressos poderão ser adquiridos na bilheteria do Limeirão, na loja Esportes Avenida e na Banca Quarto Centenário.

E o Jornal de Limeira está também está fazendo uma bela promoção. Os primeiros dez assinantes que ligarem para o número 3404-5050 ganham o direito de assistir ao jogo de graça! Vai perder essa?  

O jogo será contra o Santacruzense, às 20h30.

Eu vou! E você?

VAIIIIIIII LEÃO!

Brasil e Argentina em duelo de gigantes no Mundial de Basquete

É hoje!



Os gigantes de Brasil e Argentina se encontram em quadra para decidir quem cresce e quem cai.

Quem tiver mais garra e humildade leva a classificação. Espero que seja o Brasil. No basquete, as máscaras costumam se equivaler. Falam que jogador de futebol é mascarado, mas no bola ao cesto a coisa não é muito diferente, não. O importante é não confundir autoconfiança com desprezo pelo adversário.

Este time brasileiro, porém, é uma equipe formada sob a égide da vontade. Alia técnica e raça.Vaidades ficaram para trás. Pelo menos, tem sido assim até agora.

Temos assistido aos jogos com entusiasmo. O Brasil parece estar renascendo para o basquete, que é um esporte muito emocionante.

Particularmente, torço muito para Leandrinho arrebentar. Ele tem potencial de líder, joga pra caramba. Mas, às vezes, some da partida. Por isso, torço que ele fique ligado o tempo todo. Aí, meu amigo, coitada da Argentina.

Claro que os outros jogadores são extremamente técnicos, guerreiros. Mas se Leandrinho jogar o que sabe, o espetáculo será mais bonito. Além disso, a Samara Felippo é um colírio para torcedores do mundo inteiro!
Vai Brasil!